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Cana-de-açúcar vira biodiesel - Pesquisas e rendimento


BiodieselBR - 08 dez 2008 - 14:09 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:55

Uma usina piloto do grupo será inaugurada em fevereiro de 2009, em Campinas. O empreendimento irá realizar testes de produção de diesel a partir de cana-de-açúcar e servirá de showroom para empresas interessadas em comprar a tecnologia. “O que faremos em Campinas é a otimização do processo de produção, de fermentação dos hidrocarbonetos do açúcar, para inicialmente produzir o diesel”, explica. Apesar do acordo com a Santelisa, a tecnologia Amyris estará disponível para qualquer usina de álcool do país. “Os produtores poderão manter a estrutura que já têm para o álcool e agregar a ela a produção de diesel”, diz Collier.

Como é um processo inovador e que não se enquadra nos atuais parâmetros de especificação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel da empresa ainda não foi certificado pela agência. “A ANP não tem uma especificação para hidrocarbonetos derivados de cana-de-açúcar, porque é um processo revolucionário, é um processo novo”. A empresa diz que está trabalhando para conseguir a certificação. “Acreditamos - e começamos a fazer os testes agora - que podemos misturar de 50% a 80% desse combustível no diesel convencional sem termos que alterar qualquer especificação do diesel fóssil”, adianta.

Segundo Collier, a empresa ainda não tem dados consolidados sobre a qualidade do diesel produzido a partir da cana. “O diesel tem crescido de forma impressionante. Dito isso, acho que a aplicação do nosso diesel será muito mais uma mistura inicial talvez menor, porque a demanda é muito aquecida, é muita demanda por diesel em geral. Então talvez não valha a pena comercializar isso em quantidades muito altas”.

A tecnologia da Amyris pode produzir diesel a partir de outras matérias-primas. “Pode ser usado qualquer tipo de carboidrato, como a batata-doce e o milho, que é uma cultura que não vamos usar por motivos óbvios. No futuro haverá processo de hidrose celulósica. A celulose poderá ser hidrolisada para moléculas de glicose, que é aproveitada para fermentar junto com nossos hidrocarbonetos para produzir diesel”, adianta.

Rendimento

Para Collier, o produtor de etanol que aderir à produção de diesel vai ter uma queda de rendimento. “Em eficiência energética, a produção é muito parecida com a do etanol”. “Só que o que acontece é que o litro de diesel tem um teor de energia muito maior que o litro de etanol. Então o volume da produção vai ficar menor”. “Não conheço os números, mas se for produzir 20% menos volume comparado ao etanol, teremos uma molécula que tem 20% a mais de energia, por ser composta de hidrocarbonetos puros. Contém mais energia por litro.”

Toda a produção da Amyris- Crystalsev deverá ser comercializada por aqui. “O Brasil hoje importa diesel. Apesar de ser autosuficiente em petróleo, o país importa esse combustível porque há uma disparidade entre a demanda interna e o tipo de óleo que é refinado aqui. Então nos parece fazer mais sentido focar nossa produção para o mercado interno, uma vez que há essa demanda”.

Já nos Estados Unidos os planos são outros. As pesquisas da empresa continuam. A meta é desenvolver um processo celulósico para fazer diesel no futuro. “Estamos estudando alguns Estados no sul dos EUA para ver se podemos implantar a cana-deaçúcar.” A empresa quer plantar cana no Alabama, Louisiana, para produzir gasolina de aviação a partir da cana.
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