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Biodiesel de soja: Qualidade


BiodieselBR - 31 out 2007 - 12:49 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:49

Para melhorar a qualidade do biodiesel produzido a partir dessa oleaginosa, o pesquisador Marcio Turra de Ávila explica que é necessário diminuir as frações de ácidos graxos poliinsaturados (linoléico e linolênico) e aumentar o teor de ácidos monoinsaturados (oléico) presentes no óleo de soja, o que já está sendo feito em linhas de pesquisa sobre o melhoramento do grão. “A Embrapa tem pesquisado soja com menor teor de ácido linolênico e maior teor de ácido oléico há algum tempo, porém os trabalhos de seleção genética são lentos, o que faz prever que resultados concretos só serão observados dentro de cinco a dez anos.”

O pesquisador da Embrapa afirma que quanto às especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o biodiesel feito de óleo de soja atende a todos os requisitos. No entanto, em relação às normas européias, que são bastante rígidas, o índice de iodo aparece como um problema. “O índice de iodo está ligado justamente às altas concentrações de ácidos graxos insaturados presentes no óleo de soja (principalmente ácido linoléico). Mas não há problemas técnicos para seu uso, uma vez que o biodiesel de óleo de soja está sendo misturado ao diesel de petróleo, na proporção de 3% em volume”, declara.

O pesquisador Antonio Bonomi, do IPT, também destaca que o elevado índice de iodo do biodiesel produzido a partir do óleo de soja não atende às normas européias. “É por isso que eles exigem a mistura do biodiesel de soja com outro, que seja produzido a partir de uma matéria-prima diferente, palmáceas por exemplo, com menor índice de iodo. Para atender à especificação brasileira, ao biodiesel de soja deve ser adicionado um aditivo anti-oxidante, para que o produto atenda ao limite de seis horas para a estabilidade à oxidação. Entretanto, para ser exportado para a Europa, apenas a adição do aditivo anti-oxidante é algo que não alterará o índice de iodo”, explica.

No longo prazo, com o aumento da produção do biocombustível, Bonomi acredita que o país terá de necessariamente desenvolver outras matérias-primas para a produção de biodiesel. “Não é possível imaginar um programa brasileiro sustentável nesse setor empregando soja como matériaprima, devido à extensão agrícola que seria necessária”, avalia.

Sobre uma possível redução futura da participação da soja como matéria-prima do biodiesel nacional, Ávila, da Embrapa, tem uma visão bastante realista. “Como os grandes produtores apresentam estrutura industrial perfeitamente montada para o processamento da soja, eles têm todo interesse em que a soja continue a ser um dos carros-chefes do biodiesel brasileiro”, diz.

Já na opinião de Antonio Bonomi, o uso da soja é visto pelos produtores de biodiesel como algo que deve ser diminuído no futuro. “Isso deve ocorrer, sobretudo, pelo peso do mercado mundial no preço do óleo de soja e ainda pela competição entre combustíveis renováveis e o setor de alimentos. Com tamanha procura pelo grão, as indústrias de grande porte produtoras de biodiesel serão obrigadas a ter um raio de captação de matéria-prima muito elevado, o que vai dificultando a atividade”, analisa.