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Biodiesel brasileiro ainda não é exportado - a questão da especificação


BiodieselBR - 06 nov 2007 - 15:41 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:18

Enquanto nos frontes comercial e político a disputa continua indefinida, no plano técnico um avanço dos mais importantes aconteceu. No começo de fevereiro, os governos de Brasil, EUA e União Européia divulgaram os resultados de uma análise conjunta a respeito de suas atuais especificações técnicas de biocombustíveis. No Brasil, esse trabalho foi coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro).

A boa noticia é que compatibilizar as diferentes normas seria um problema muito menor do que se poderia imaginar a princípio. Das 16 especificações para o etanol analisadas, nove foram consideradas “alinhadas” e, com exceção de uma, as restantes poderiam ser compatibilizadas no curto prazo. No caso do biodiesel, seis das 24 especificações foram consideradas compatíveis.

“A idéia é facilitar a transformação dos biocombustíveis em commodities que possam ser comercializadas entre Brasil, EUA e Europa”, explica o diretor de metrologia científica e industrial do Inmetro, Humberto Brandi. Ele revela ainda que a segunda fase desse trabalho vai até 2009 e tem o objetivo de criar materiais de referência que possam ser utilizados nos testes aplicados aos biocombustíveis nas três regiões. “O objetivo é desenvolvermos um padrão mais homogêneo para medir a qualidade desses produtos”, informa, ressaltando que o fato de existir uma medida comum não implica que ela será adotada. “O fato de existir o metro não impede o uso de outras medidas”, conclui.
Janela de oportunidade

Entre notícias boas e más, há um detalhe para o qual Décio Luiz Gazzoni chama a atenção. Enquanto estamos engalfinhados lutando por um naco maior do mercado de biocombustíveis, europeus e norte-americanos já estão de olhos postos no próximo passo. “Eles estão colocando bilhões de dólares para encontrar alternativas que compensem sua falta de competitividade na área”, alerta – talvez não custe lembrar que o Santo Graal da indústria automotiva é o motor a hidrogênio.

“Minha previsão é que a janela para a realização de grandes negócios no setor de biocombustíveis vai durar cerca de 30 anos. Depois a tecnologia deve seguir em outras direções”, arremata.