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Agrenco na Berlinda


BiodieselBR - 05 nov 2007 - 15:19 - Última atualização em: 20 dez 2011 - 11:16
Depois da prisão de três dos sócios, empresa vive crise financeira e acumula dívidas de R$ 1,2 bilhão

Redação BiodieselBR

A gigante do agronegócio Agrenco vive um momento de expectativa. A empresa, cujo principal negócio é a exportação de grão, farelo e óleo de soja, amarga uma dívida de R$ 1,2 bilhão, com 80% do vencimento no curto prazo. A situação se agravou com a prisão de três sócios da companhia no último dia 20 de junho durante a Operação Influenza, da Polícia Federal (PF). Entre os detidos na ocasião estava Antônio Iafelice, presidente da Agrenco na época, que é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de estelionato, formação de quadrilha e crimes contra o sistema financeiro.

Apesar das prisões, o maior problema da companhia ainda é financeiro. Em 2007, a Agrenco listou papéis na Bolsa de São Paulo com a intenção de captar recursos para pagar dívidas. A iniciativa resultou em R$ 666 milhões em recursos para a empresa, a maior parte utilizada para saldar compromissos e uma pequena parcela destinada a formar o capital de giro da instituição.

Parte das dívidas têm origem em empréstimos feitos para viabilizar a construção de três usinas de esmagamento de soja e processamento de óleo e biodiesel. Apenas uma indústria está operando, a de Alto Araguaia (MT). A unidade está esmagando soja, vendendo farelo e óleo no mercado e iniciou em julho a produção de biodiesel. A de Caarapó (MS) está pronta, mas sem data para entrar em operação. E a usina de produção de biodiesel de Marialva (PR) teve sua construção interrompida.

As dívidas deixam poucas opções para o grupo. A expectativa é que uma decisão sobre a venda da instituição ou um aporte de capital seja tomada em breve, para evitar que a crise se agrave.

O processo de procura por um novo sócio estratégico começou antes mesmo dos escândalos envolvendo a PF. Três empresas já demonstraram interesse na companhia: a francesa Louis Dreyfus, a asiática Noble e a suíça Glencore. A princípio a Agrenco assinou um memorando com a Louis Dreyfus que daria exclusividade ao investidor se o negócio fosse fechado até setembro de 2008. No entanto, a cláusula de exclusividade foi colocada de lado quando a Glencore fez sua oferta. Para sobreviver, a Agrenco precisa de R$ 172 milhões para capital de giro e outros R$ 258 milhões em empréstimos de longo prazo, segundo informações do jornal Valor Econômico.