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Univaldo Vedana: Usinas demais, produção de menos


Edição de Fev / Mar 2008 - 15 fev 2008 - 11:24 - Última atualização em: 17 dez 2012 - 09:17

Essa é a situação do biodiesel no Brasil e no mundo. Nos últimos três anos, o aumento da construção de usinas de biodiesel no país e no exterior foi irracional, como definiu Joe Jobe, presidente da associação norte- americana National Biodiesel Board (NBB).

O momento agora é de parar, contar o prejuízo e reiniciar o projeto de biodiesel como deveria ter sido feito na primeira vez. Sendo o biodiesel um produto que se planta, nada mais lógico que começar o projeto no campo. Não quero me deter aos problemas do biodiesel americano, europeu ou asiático. O meu interesse é encontrar soluções para o biodiesel brasileiro.

E as soluções existem. Algumas de curto prazo, outras com resultados de prazos mais longos. Sempre defendi que o biodiesel brasileiro deveria ser produzido de oleaginosas de safrinha, de inverno ou de plantas perenes e óleos residuais. Deixando, assim, a soja para a alimentação humana.

A colheita da safra de verão já está acontecendo e se estenderá até o mês de abril, período ideal para o plantio da safrinha em boa parte do Brasil. É neste momento que o usineiro de biodiesel precisa ir a campo, identificar qual oleaginosa o produtor tem condições de plantar na região e firmar contratos. Em boa parte do Cent ro-Oeste, o crambe está despontando na agricultura mecanizada como a melhor alternativa para o biodiesel. O baixo custo da plantação, a precocidade de no máximo 100 dias do plantio à colheita, a produtividade entre 1.000 e 1.500 quilos por hectare e, principalmente, pelo período de plantio que se estende até o inicio de abril – durante o qual não se recomenda mais o plantio de milho ou girassol.

O girassol em 2008 também terá sua área dobrada ou triplicada em relação ao ano de 2007, podendo alcançar 200 mil hectares, mas não será usado para a produção de biodiesel. O preço do seu óleo está batendo R$ 3 mil a tonelada. Várias empresas estão no campo firmando contratos de compra antecipada a R$ 43,00 o saco de sessenta quilos. O destino do girassol será alimentício. Algumas empresas estão oferecendo até adiantamentos para os produtores que assim o desejarem.

Quem está pensando em projetos de longo prazo com maior produção de óleo por hectare deve pensar em pinhão- manso, se o clima da região permitir o cultivo. Embora o pinhão-manso ainda seja considerado apenas uma promessa por alguns, muitos produtores rurais e empresas estão investindo em plantios. Já são milhares de hectares plantados nas regiões propícias em todo o Brasil. Os plantios de pinhão-manso mais antigos, cultivados até 2006, estão respondendo às expectativas quanto ao desenvolvimento, produtividade, controle de pragas e doenças. Além disso, estão servindo de modelo para novos plantios, como adubação, espaçamento, podas e tratos culturais.

O industrial do etanol planta a cana-de-açúcar dois anos antes de montar a usina. No biodiesel não pode ser diferente. O sucesso do usineiro de biodiesel obrigatoriamente inicia no plantio da matériaprima que ele precisará.

E ao escolher uma oleaginosa que não tenha cotação internacional, o usineiro definirá o valor de acordo com o preço final do biodiesel e seus custos, garantindo, assim, margem de lucro.