Do volume que havia sido contratado pelas distribuidoras para os meses de março e abril quase 66,6 mil m³ deixaram de ser retirados
O B14 teve uma estreia um tanto conturbada. Fechadas as contas do 2º bimestre (2B), as entregas de biodiesel somaram 1,46 milhão de m³. Esse volume representa menos de 95,7% da quantidade de biocombustível que foi contratada pelas distribuidoras para garantir a demanda do bimestre.
O B14 teve uma estreia um tanto conturbada. Fechadas as contas do 2º bimestre (2B), as entregas de biodiesel somaram 1,46 milhão de m³. Esse volume representa menos de 95,7% da quantidade de biocombustível que foi contratada pelas distribuidoras para garantir a demanda do bimestre.
Embora não seja um número inédito, esse percentual de execução dos contratos está bem abaixo do desempenho quase perfeito que o mercado vinha apresentando desde que o novo sistema de contratação de biodiesel foi introduzido em 2022. Na média, as entregas feitas ao longo dos últimos 14 bimestres superam a marca dos 99,5% do contratado pelas distribuidoras.
A derrapagem parece ainda maior quando a comparação é feita com base no bimestre anterior quando as entregas representaram 105,7% das contratações do período – a maior da história.
A última vez que o desempenho do mercado ficou abaixo do atual foi no 1B de 2023 quando o percentual ficou em 94,1%.
A parcial de março já indicava que o mercado não estava demandando tanto biodiesel quanto haviam contratado. Fechado o primeiro mês do período, o volume entrega correspondia a uma fatia de 46,7% das contratações.
Na contramão
Consideradas as revisões publicadas pela ANP, as usinas e as distribuidoras fecharam contratos da ordem de 1,53 milhão de m³ de B100. Esse volume seria suficiente para garantir que as distribuidoras vendessem um pouco mais de 10,92 milhões de m³ de B14 entre março e abril.
Embora os números finais ainda não tenham sido divulgados pela ANP, os painéis dinâmicos da agência reguladora apontam que o mercado se saiu um pouco melhor do que o esperado, com vendas que beiram os 10,97 milhões de m³.
A quantidade de biodiesel que foi entregue, contudo, foi na contramão desse aumento de demanda. Na ponta do lápis, sobrariam quase 515 mil m³ de óleo diesel sem ter biodiesel com que misturar.
Uma possibilidade é que distribuidoras tenham de desfeito de estoques acumulados no 1B. Nos primeiros dois meses do ano, óleo diesel comercializado demandou menos de 1,20 milhão de biodiesel puro. Comparando com as entregas contabilizadas no 1B, as sobras do bimestre se aproximariam de 79 mil m³ de biodiesel puro, o que permitiria a composição de mais de 560 mil m³ de B14.
Outra – essa mais problemática – é que o mercado esteja passando por um surto de não conformidade. Um levantamento feito pelo Instituto Combustível Legal (ICL) entre outubro de 2023 e março de 2024 apontou que perto de um quarto – 24,1% – de 323 amostras coletadas tinha menos biodiesel do que a legislação pedia.
Recorde
Apesar dos pesares, as entregas foram recorde abrindo quase 4,4% sobre o volume movimentado no 4B de 2023.
Vale ressaltar, contudo, que no ano passado a mistura estava dois pontos percentuais abaixo da atual.
A maior vendedora foi a Be8 que movimentou 150,7 mil m³ de biodiesel. Levando em conta os preços do biodiesel na Região Sul – onde estão instaladas suas duas usinas – a Be8 faturou perto de R$ 660 milhões.
Já entre os estados, o maior produtor é o Rio Grande do Sul com 304,2 mil m³ de biodiesel vendidos. Cabe ressaltar, contudo, que a liderança das usinas gaúchas ficou bem mais apertada. Do último ano para cá, as entregas das usinas do Mato Grosso avançaram 48,1%; acrescentando 96,3 mil m³. No mesmo período, as entregas do RS avançaram menos de 19%.
No total, os 33 fabricantes que entregaram biodiesel ao longo dos dois últimos meses dividiram um faturamento total de R$ 6,60 bilhões.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com