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Déficit entre a produção e a demanda de biodiesel se alarga para 88,4 mil m³ em julho

Desde a introdução do B14 em março passado, o setor não tem conseguido atingir os níveis de produção necessários para suprir toda a demanda, acumulando um déficit de 150,6 mil m³

BiodieselBR.com 5 min de leitura

A produção brasileira de biodiesel não está acompanhando a demanda do mercado nacional. Ou as distribuidoras não estão comprando o suficiente para atender a demanda nacional. Dados divulgados pela ANP indicam que a produção em julho chegou a aproximadamente 749,9 mil m³, ficando cerca de 2,7% abaixo do mês anterior, quando o volume produzido atingiu a inédita marca de 770,4 mil m³.

Embora os fabricantes tenham alcançado um nível de produção mais alto desde a introdução do B14, com uma média de 749,1 mil m³ fabricados a cada mês, esse aumento claramente não tem sido suficiente. Em julho, o déficit foi um recorde de 88,4 mil m³.

Segundo dados preliminares da ANP, a demanda de diesel foi de 6,05 milhões de m³, o que – descontados os 112 mil m³ estimados para as vendas de diesel marítimo isento da mistura de biodiesel – coloca a demanda doméstica em 831,6 mil m³. Considerando os 6,7 mil m³ que foram exportados em julho, a demanda total sobe para 838,3 mil m³.

A produção brasileira de biodiesel não está acompanhando a demanda do mercado nacional. Ou as distribuidoras não estão comprando o suficiente para atender a demanda nacional. Dados divulgados pela ANP indicam que a produção em julho chegou a aproximadamente 749,9 mil m³, ficando cerca de 2,7% abaixo do mês anterior, quando o volume produzido atingiu a inédita marca de 770,4 mil m³.

Embora os fabricantes tenham alcançado um nível de produção mais alto desde a introdução do B14, com uma média de 749,1 mil m³ fabricados a cada mês, esse aumento claramente não tem sido suficiente. Em julho, o déficit foi um recorde de 88,4 mil m³.

Segundo dados preliminares da ANP, a demanda de diesel foi de 6,05 milhões de m³, o que – descontados os 112 mil m³ estimados para as vendas de diesel marítimo isento da mistura de biodiesel – coloca a demanda doméstica em 831,6 mil m³. Considerando os 6,7 mil m³ que foram exportados em julho, a demanda total sobe para 838,3 mil m³.

Este é o maior déficit mensal da história, superando os 64,9 mil m³ registrados em setembro de 2021. Naquela ocasião, contudo, as usinas vinham de quatro meses seguidos de superávit, uma situação muito diferente da atual.

Zerando os saldos

Desde a adoção do B14 em março, não houve um único mês de produção com saldo positivo. Nos cinco meses desde então, o mercado acumula um déficit de 198,3 mil m³, que cai para 150,6 mil m³ se somados os saldos positivos de janeiro e fevereiro.

Ficaram faltando 93,7 mil m³ para empatar a demanda do mercado doméstico. A esse volume se somam os 56,9 mil m³ que foram exportados de janeiro a junho.

Com mais este déficit, todo o saldo positivo que a indústria acumulou ao longo de sua história fica praticamente zerado. De 2008 até o ano passado, a produção de biodiesel superou a demanda em quase 157 mil m³, restando apenas 6,32 mil m³.

Nada parece indicar que o problema seja um esgotamento da capacidade produtiva do setor. O parque industrial brasileiro pode fabricar um pouco menos que 1,21 milhão de m³ de biodiesel por mês; o nível de ocupação para atender plenamente a demanda do mercado ficaria abaixo dos 70%. Os preços do biodiesel também vivem uma boa fase e vêm garantindo margens interessantes em relação aos principais custos de produção.

Isso parece apontar para uma falha do lado da distribuição. Dados do programa Ciente Misterioso do Instituto Combustível Legal (ICL) apontavam que quase um quarto das amostras coletadas ao longo de seis meses – entre outubro de 2023 e março de 2024 – tinha menos biodiesel do que deveria.

BiodieselBR.com contatou a ANP e as associações do setor para compreender melhor os números e suas implicações e deverá voltar ao assunto nos próximos dias.

Mato Grosso na liderança

Em agosto, as usinas do Mato Grosso lideraram o mercado nacional, produzindo 188,4 mil m³ de biodiesel, superando o Rio Grande do Sul por uma margem de 20%. A produção gaúcha de 150,5 mil m³ garantiu a vice-liderança do mercado.

Foi o terceiro mês consecutivo com o Mato Grosso na liderança. Com isso, os fabricantes mato-grossenses ultrapassaram os gaúchos no acumulado do ano, com 1,08 milhão de m³ de biodiesel produzidos de janeiro a julho, enquanto o Rio Grande do Sul alcançou 1,06 milhão de m³.

Apesar da produção estar patinando no Rio Grande do Sul, a Região Sul manteve a liderança no mercado, com quase 310 mil m³ fabricados em julho, um aumento de 20,6 mil m³ em relação ao mesmo período do ano passado.

O Nordeste, contudo, apresentou o maior crescimento proporcional de um ano para o outro, com a produção regional subindo mais de 21,4% e atingindo a marca de 70,7 mil m³ de biodiesel fabricados.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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