BiodieselBR
Publicidade

Câmara Setorial expõe divergências sobre esmagamento da soja

Durante a reunião da Câmara Setorial do Biodiesel desta terça 30), MME e Abiove apresentaram projeções conflitantes sobre a oferta de óleo de soja.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
MME e Abiove não estão se entendendo a respeito das perspectivas para a indústria de processamento de soja para 2015. Enquanto para a associação que reúne as maiores empresas do setor de esmagamento há óleo de sobra para abastecer o mercado, o ministério aponta para o perigo de uma oferta apertada este ano. A divergência se tornou pública durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel que aconteceu nessa terça-feira (30) em Brasília (DF).

MME e Abiove não estão se entendendo a respeito das perspectivas para a indústria de processamento de soja para 2015. Enquanto para a associação que reúne as maiores empresas do setor de esmagamento há óleo de sobra para abastecer o mercado, o ministério aponta para o perigo de uma oferta apertada este ano. A divergência se tornou pública durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel que aconteceu nessa terça-feira (30) em Brasília (DF).

Segundo a Abiove, a situação está bastante confortável. Nas estimativas da entidade, na safra 2014/15 foram colhidas 93,7 milhões de toneladas de soja – alta de 8,5% sobre a safra passada – das quais 39,1 milhões serão processadas internamento. Isso representaria uma alta de quase 4% sobre os 37,6 milhões de toneladas processados no ano passado.

Com isso, a Abiove estima a oferta de óleo de soja em 7,55 milhões de toneladas das quais 1,05 milhão de tonelada seriam exportadas o que deixariam 6,5 milhões de toneladas disponíveis para o abastecimento do mercado interno. Esse volume, por si só já garantiria o abastecimento do mercado com sobras – a única dúvida seria o quanto sobraria de óleo de soja no final do ano.

Variáveis

Há duas variáveis importantes para o resultado dessa conta: a demanda de diesel e o percentual que o óleo de soja representaria no mix de matérias-primas do biodiesel até o final do ano.

Se o mercado de diesel mantiver o ritmo decepcionante que vem apresentando até agora com retração de 3,7% no volume comercializado, a demanda por biodiesel encerrará o ano em 4,05 bilhões de litros podendo chegar a 4,2 bilhões de litros caso as vendas se recuperem e repitam o mesmo volume de vendas registrado no ano passado.

Já a participação do óleo de soja esperada pela equipe da Abiove fica entre 76% e 80% do mercado total – até abril a soja tinha participação de 75,6% do mercado.

Isso faria com que a fabricação de biodiesel absorvesse entre 2,71 e 2,96 milhões de toneladas de óleo de soja. Somando nisso os 3,64 milhões de toneladas que deverão seguir para o consumo humano sobrariam entre 480 e 228 mil toneladas de óleo no mercado nacional.

Inconsistências

O Ministério de Minas e Energia contesta que estejamos voando em céu de brigadeiro.

Uma apresentação feita pelo coordenador-geral de desenvolvimento de combustíveis renováveis, Ricardo Gomide, à qual BiodieselBR.com teve acesso, aponta inconsistências nos dados mensais de esmagamento publicados pela própria Abiove que parecem indicar para uma queda de 17% no volume de soja esmagado entre janeiro e maio deste ano.

Além dessa queda, também estamos exportando mais óleo de soja. Entre janeiro e maio exportamos 8,7% mais óleo de soja do que em 2014 o que indicariam exportações bem superiores que os módicos 1,05 milhão de toneladas indicados pela Abiove.

Isso somado à expansão na demanda por biodiesel – que ainda deverá ser robusta por conta da implantação do B7 – que deverá absorver 4,05 bilhões de litros de biodiesel no total dos quais 3,12 bilhões de litros serão feitos a partir do óleo de soja. Juntados nisso os 4,1 bilhões de litros para consumo humano e aos 1,54 bilhão de litros para exportação haveria um déficit de 577 milhões de litros no mercado interno o que colocaria o país no limite de um desabastecimento.

Grupo de Trabalho

A Abiove se defende dizendo que os números utilizados pelo ministério representam apenas uma amostra do mercado total, já que os números de 2015 usam apenas os dados das empresas associadas da Abiove, enquanto o de 2014 de toda a indústria. Isso estaria mascarando a verdadeira evolução da indústria.

Para desfazer essas divergências foi proposta uma a criação de um Grupo de Trabalho que ficaria responsável por acompanhar mais de perto a movimentação do complexo soja.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados