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Valenz: Uma década de Brasil

Em outubro passado, a empresa completou 10 anos desde que sua primeira carga de metanol chegou ao Brasil

BiodieselBR - Conteúdo Patrocinado 7 min de leitura

Há alguns meses, a Valenz completou sua primeira década fornecendo metanol para o mercado brasileiro. O primeiro navio trazido pela companhia – que, então, se chamava Southern Chemical Corporation (SCC) – aportou no país em outubro de 2015. Nesses 10 anos, a empresa se consolidou como uma parceira confiável para os consumidores do insumo; algo fundamental num momento em que o mercado do insumo enfrenta turbulências em série.

Para entender os aprendizados acumulados nessa primeira década no Brasil e a situação do mercado global, BiodieselBR.com conversou com o vice-presidente de Químicos da Helm do Brasil, Sérgio Melchert.

BiodieselBR.com – No ano passado, completaram-se dez anos desde que vocês — ainda operando sob o nome SCC — trouxeram o primeiro navio de metanol. Quais você diria que foram os principais aprendizados dessa primeira década no Brasil?

Sérgio Melchert – Os últimos dez anos foram um período de grande aprendizado; o mais importante deles talvez tenha sido entender que o fornecimento de metanol no Brasil exige muito mais do que conectar oferta e demanda. É um mercado que exige proximidade com os clientes, conhecimento aprofundado de logística, capacidade de antecipar os movimentos do mercado internacional e, acima de tudo, segurança e confiabilidade no fornecimento. Ao longo desta década, construímos relacionamentos de longo prazo com clientes e parceiros e, juntamente com nosso parceiro de longa data, a HELM, desenvolvemos uma estrutura capaz de responder às diferentes necessidades do mercado brasileiro. Hoje, temos uma visão muito mais ampla da cadeia de suprimentos, maior capacidade de antecipar os movimentos do mercado e uma estrutura cada vez mais preparada para oferecer soluções consistentes e de longo prazo.

BiodieselBR.com – Imagino que o mercado doméstico também tenha mudado consideravelmente ao longo desses dez anos. Quais são as principais diferenças?

Sérgio Melchert – O mercado brasileiro amadureceu significativamente ao longo desse período. Os clientes estão mais estruturados em seus processos e cada vez mais atentos a fatores que vão além do preço, como planejamento, flexibilidade logística e capacidade de adaptação às condições do mercado.

Também observamos uma integração cada vez maior entre o mercado brasileiro e os mercados internacionais. Mudanças em outras regiões passaram a ter reflexos mais rápidos sobre o mercado brasileiro. Esse cenário elevou o nível de exigência para os participantes do mercado. Mais do que simplesmente disponibilizar o produto, é necessário acompanhar continuamente as mudanças e compreender seus impactos para oferecer alternativas adequadas aos clientes.

BiodieselBR.com – Qual é a participação de mercado da Valenz no Brasil atualmente?

Sérgio Melchert – A Valenz é, atualmente, um dos principais players no fornecimento de metanol para o mercado brasileiro. Mais do que destacar um percentual específico, acredito que nosso crescimento reflete a relevância que construímos no mercado e a confiança que conquistamos junto aos nossos clientes e parceiros. Estabelecemos uma posição sólida no mercado e construímos uma presença significativa ao longo dos últimos dez anos, atendendo clientes de diferentes segmentos consumidores.

BiodieselBR.com – Este tem sido um ano turbulento para o mercado de metanol, não? Como a situação no Oriente Médio vem afetando a indústria?

Sérgio Melchert – Sem dúvida, estamos passando por um período particularmente atípico. O conflito no Oriente Médio acrescentou uma nova camada de complexidade a um mercado que já operava com um equilíbrio apertado entre oferta e demanda. O impacto não se limita a potenciais reduções na produção. Restrições e incertezas logísticas, particularmente aquelas relacionadas às rotas de transporte e aos fluxos de energia, estão aumentando os custos, prolongando os prazos de entrega e tornando o planejamento mais desafiador. Para um produto comercializado globalmente como o metanol, esses acontecimentos são rapidamente refletidos em diferentes mercados, incluindo o Brasil.

BiodieselBR.com – Desde o início da guerra, os preços do metanol permanecem em um patamar relativamente elevado. Existe alguma possibilidade de um alívio no curto prazo ou o mercado terá que esperar até o fim do conflito?

Sérgio Melchert – É difícil identificar um momento específico em que o mercado poderá se normalizar. Os preços do metanol são influenciados por uma combinação de fatores, incluindo disponibilidade global, demanda, preços do petróleo, custos de gás natural, logística e tarifas de frete, entre outros... Então, mesmo que as tensões geopolíticas diminuam, não necessariamente veremos uma correção imediata dos preços. Os fluxos logísticos precisarão se normalizar e o mercado terá que recuperar um grau maior de previsibilidade. Portanto, no curto prazo, esperamos que a volatilidade continue sendo uma característica do mercado.

BiodieselBR.com – Com as dificuldades para escoar a produção do Oriente Médio, chegou a haver falta de produto?

Sérgio Melchert – Em determinados momentos, certamente houve uma redução na disponibilidade de algumas origens e uma dificuldade para movimentar volumes. O mercado não necessariamente enfrentou uma escassez generalizada de produto, mas passou a operar com uma margem de segurança de fornecimento mais estreita.

BiodieselBR.com – E como a indústria tem se adaptado a essa situação?

Sérgio Melchert – Isso exige uma gestão muito mais próxima da cadeia de suprimentos. Os compradores precisam planejar com maior antecedência, enquanto fornecedores e distribuidores precisam diversificar origens, rotas e alternativas logísticas sempre que possível. É precisamente nesse tipo de ambiente que uma plataforma global como a Valenz pode agregar valor, conectando diferentes fontes de fornecimento aos mercados consumidores.

BiodieselBR.com – De que forma essa situação está afetando o mercado brasileiro em particular? O Brasil tem conseguido atrair os volumes que necessita?

Sérgio Melchert – O Brasil não está isolado dos acontecimentos. Somos um mercado estruturalmente dependente de importações e, portanto, mudanças significativas nos fluxos do comércio internacional acabam afetando a disponibilidade do produto e os custos no país. Até o momento, o mercado brasileiro continua sendo abastecido, mas isso tem exigido maior planejamento e flexibilidade. A origem do produto, a disponibilidade de navios e a logística tornaram-se fatores mais importantes na equação geral de abastecimento.

BiodieselBR.com – E como vocês têm atuado para atender o mercado brasileiro?

Sérgio Melchert – Nossa prioridade tem sido garantir a continuidade do fornecimento aos nossos clientes, trabalhando de forma proativa para reduzir o impacto dessas oscilações do mercado. Juntamente com a HELM, monitoramos continuamente as condições de mercado, a logística e a disponibilidade de oferta para ajudar a garantir que nossos clientes brasileiros tenham acesso aos volumes que precisam.

BiodieselBR.com – Em um ambiente de alta volatilidade, como os compradores de metanol podem reduzir o risco de não terem acesso ao produto?

Sérgio Melchert – Em um ambiente de maior volatilidade, o planejamento é essencial. Para os consumidores – como produtores de biodiesel e formaldeído – ter visibilidade sobre suas necessidades futuras e planejar o abastecimento com antecedência está se tornando cada vez mais importante. Nesse contexto, o papel de um parceiro de fornecimento também ganha relevância. A Valenz monitora de perto os movimentos nas diferentes origens e trabalha de forma proativa para garantir os volumes aos seus clientes. Em vez de simplesmente reagir quando surge uma restrição de oferta, o objetivo é antecipar esses movimentos e estruturar o abastecimento de forma a proporcionar aos clientes maior previsibilidade e segurança no fornecimento.

BiodieselBR.com – No ano passado, você nos contou que a Proman estava participando de uma joint venture para construir uma planta em Abu Dhabi. Como esse projeto está andando?

Sérgio Melchert – O projeto em Abu Dhabi avançou significativamente desde nossa última conversa. A planta da TA’ZIZ e da Proman terá capacidade de 1,8 milhão de toneladas por ano e, apesar da situação geopolítica na região, está em uma etapa de execução muito mais avançada. Em maio, foi anunciado um financiamento de US$ 2 bilhões para o projeto, e a construção está atualmente em andamento, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2028.

BiodieselBR.com – Como esse projeto se conecta com a Valenz?

Sérgio Melchert – Para a Valenz, ele é particularmente importante porque teremos os direitos exclusivos de comercialização do metanol produzido pela planta, tanto para clientes domésticos quanto para internacionais. Este é um projeto estratégico voltado à expansão e diversificação da oferta global de metanol e, no futuro, poderá também representar uma importante nova fonte de fornecimento para o mercado brasileiro.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com 

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