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Preocupação com guerra comercial pressiona JBS


Valor Econômico - 31 jul 2018 - 10:12

A preocupação de investidores com o impacto da guerra comercial sobre as operações da JBS nos EUA derrubou as ações da empresa na bolsa. Nesta segunda-feira, os papéis caíram 5,3% na B3, negociados a R$ 9,10. Foi a maior desvalorização do Ibovespa. O índice subiu 0,5%.

As ações da JBS recuaram na esteira da revisão de projeções feitas pela americana Tyson Foods. Principal rival da companhia brasileira nos EUA, a Tyson cortou em mais de 10% a previsão de lucro por ação no exercício fiscal de 2018, que se encerra em setembro. A empresa, que antes previa lucro por ação entre US$ 6,55 e US$ 6,70 revisou a previsão para entre US$ 5,70 e US$ 6,00.

Entre as justificativas para a revisão, a Tyson apontou os efeitos da guerra comercial nos EUA sobre os preços de exportação das carnes suína e de frango. Por causa das sobretaxas aplicadas por China e México, as exportações de carne suína podem ser afetadas, elevando a oferta do produto no mercado americano.

Os efeitos colaterais não foram os únicos responsáveis pela revisão das projeções da Tyson. Antes da disputa comercial, os frigoríficos de carne de frango dos EUA já sofriam com a sobreoferta do produto e a maior concorrência com a carne bovina, o que também já havia prejudicado as ações da americana Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS. Desde o início de 2018, os papéis da Pilgrim’s recuaram mais de 40% na Nasdaq.

Além disso, a Tyson reduziu a previsão de economia de impostos com a reforma tributária nos EUA em 10%. Em fevereiro, a companhia estimou em US$ 300 milhões o impacto positivo da reforma tributária sobre o fluxo de caixa em 2018.

Na contramão da JBS, a também brasileira Marfrig foi ajudada pela Tyson. Nesse caso, não pela revisão nas projeções, mas pela proximidade da venda da subsidiária Keystone. A Marfrig deu exclusividade à Tyson para a venda dos ativos. A expectativa é que o negócio seja fechado ainda esta semana. Nesta segunda-feira, as ações da Marfrig subiram 3,03% na bolsa, negociadas a R$ 8,14.

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