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[Atualizada] Potencial vai investir R$ 1,7 bi na 1ª fase de esmagadora de soja na Lapa

Área que será ocupada pela nova planta está passando por obras de terraplanagem. Construção da primeira fase do projeto deve começar no próximo mês

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Depois de ter montado a maior usina de biodiesel do país – e uma das maiores do mundo – com capacidade instalada para até 900 mil m³ anuais; o Grupo Potencial está se preparando para dar o próximo passo e entrar de cabeça no agronegócio. Dentro de, no máximo, mais dois meses, o grupo empresarial com origem no ramo de distribuição de combustíveis vai começar a construção de sua esmagadora de soja. E não é qualquer esmagadora, segundo a empresa essa vai ser a maior esmagadora de soja do Brasil.

O terreno que deverá receber à nova unidade está localizado ao lado da usina de biodiesel do grupo na cidade de Lapa (PR) e já está passando por terraplanagem. A meta é que tudo esteja pronto para que a planta comece ser construída já no próximo mês. As informações foram passadas com exclusividade à BiodieselBR.com pelo vice-presidente comercial do Grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschmidt e pelo gerente geral de Qualidade, Robson Rodrigues Antunes.

A expectativa é que a construção leve cerca de 18 meses. Isso quer dizer que, se tudo correr bem, o desembarque do Grupo Potencial no setor de processamento de soja vai acontecer entre final de 2024 e o começo de 2025

O projeto não é nada modesto. Apenas na primeira fase das obras serão investidos cerca de R$ 1,7 bilhão. Mas quando a unidade estiver completamente finalizada por volta de 2028, a conta deve ficar próxima dos R$ 2,5 bilhões. As primeiras estimativas sobre a 2ª fase do projeto giram em torno da casa dos R$ 800 milhões. 

Primeira fase

Para sua chegada ao novo mercado, a Potencial está mirando uma capacidade de 3,5 mil toneladas de soja por dia – cerca de 1,15 milhão de toneladas de soja por ano o que já a coloca entre as maiores do setor de esmagamento.

Será uma frente de negócios inteiramente nova para o Grupo Potencial. “O mercado de industrialização de soja é novo para nós. Então a gente vai ter um aprendizado como aconteceu com próprio biodiesel no passado. Mas a ideia é que, em mais dois ou três anos, nós estejamos prontos para segunda fase”, diz Carlos Eduardo.

A meta de longo prazo, de acordo com o empresário, é disputar as primeiras colocações do mercado. Quando a 2ª fase do projeto for concluída, a capacidade total da esmagadora da Potencial deve ficar entre 6 e 7 mil toneladas diárias.

Com a esmagadora o site industrial ocupará um espaço de 500 mil m² e irá gerar mais de 250 empregos diretos.

Para conseguir viabilidade logística para receber e enviar os produtos da esmagadora, a empresa vai construir um terminal ferroviário ligando o site industrial com a linha férrea que vai ao porto de Paranaguá. Mas mesmo com a ferrovia ainda estarão recebendo mais de 100 caminhões por dia com entrega de soja e outros 100 caminhões saindo com farelo.

Junto a esmagadora serão construídos dois silos semi v com capacidade para 150 mil toneladas cada e mais um silo de 100 mil toneladas para armazenar o farelo.

A esmagadora vai usar o mesmo sistema de efluentes que a usina de biodiesel usa. “Usamos uma tecnologia americana chamada CWT, que significa Clean Water Technology. Ela consiste em processo de tratamento físico, químico e enzimático, que faz com que tenhamos um efluente com qualidade de água de reuso. Então toda a água retorna para o processo. Já estamos numa fase de ampliação dessa estação de tratamento para justamente absorver todos os volumes da esmagadora também” explicou Robson Antunes.

A planta ainda vai contar com uma cogeradora de energia com capacidade de 11 MW. Como o consumo esperado da planta é de 7MW, o excedente será vendido para o grid.

Farelo

Para dar destino ao óleo fabricado por sua nova unidade, a Potencial não deve ter maiores dificuldades. Afinal, a megausina do grupo está literalmente do outro lado da rua. E nem será preciso atravessá-la. Ambas as plantas serão conectadas por dutos.

Isso quer dizer que, dependendo das condições do mercado de biodiesel, a produção de óleo da esmagadora terá mercado cativo.

A grande novidade para o grupo será o mercado de farelo. Segundo Carlos Eduardo, na cidade vizinha de Porto Amazonas (PR) já conta com uma grande fábrica de rações para o segmento pet que deve absorver ao menos uma parte da produção de farelo da nova esmagadora.

Mas a maior parte da produção deverá ter o mercado internacional como destino. Para antecipar a entrada no mercado exportador, a empresa já está certificando sua produção junto à International Sustainability & Carbon Certification (ISCC), cuja auditoria ocorreu há duas semanas.

Carlos Eduardo finaliza a entrevista com uma mensagem forte sobre os objetivos da empresa. “A nossa diretriz é ser referência na transição energética brasileira, potencial e capacidade não nos faltam. Uma empresa familiar forte, e de capital fechado são raras no mercado brasileiro. Enfrentar multinacionais são desafios extremos, mas estamos preparados financeiramente para os nossos projetos, por isso colocamos no papel e executamos. O nosso maior legado é gerar emprego e renda para os brasileiros. Queremos que o Grupo Potencial seja conhecido mundialmente” explicou com orgulho.

Atualização em 14 de junho - Depois da publicação do texto, representantes da Potencial ressaltaram que o montante do investimento que deverá ser feito na 2ª fase da esmagadora trata-se de uma estimativa inicial. BiodieselBR.com modificou o titulo e o texto interno da reportagem para refletir essa nova informação. 

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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