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Consultoria lança relatório de análise de desempenho financeiro das usinas nos leilões de biodiesel


Vedana & Goulart - 05 dez 2018 - 09:29

Muitos agentes envolvidos com o setor de biodiesel no Brasil se perguntam sobre a performance das empresas produtoras nos leilões. Por se tratar de um mercado bastante dinâmico e complexo, a tarefa de se estimar os ganhos de uma usina não é trivial. A consultoria Vedana&Goulart, percebendo a carência de informações sobre o tema, se propôs a apresentar previsões dos resultados das empresas produtoras de biodiesel.

Neste primeiro momento este artigo foca nas empresas produtoras de biodiesel do Mato Grosso, trazendo uma visão geral sobre a forma como elas precificaram seus lotes na etapa 2. Detalhes sobre as informações apresentadas aqui podem ser obtidas junto à consultoria. 

As análises apresentadas a seguir levam em consideração certas premissas, dentre as quais pontua-se: a) benefícios fiscais de ICMS e PIS/Cofins vigentes no Estado de Mato Grosso; b) custo da matéria-prima para os meses de janeiro equivalente à paridade de exportação do óleo de soja adicionado de prêmio relativo ao mercado doméstico conforme níveis da bolsa de Chicago (CBOT), prêmios de porto e câmbio no dia 03/12/2018; c) usina funcionando exclusivamente com óleo de soja como matéria-prima.

Quando falamos de margem neste artigo, estamos falando de resultado EBITDA, ou seja, ganhos ou perdas antes de juros, depreciação e imposto de renda.

O que mais chama a atenção entre as ofertas originárias do Mato Grosso é a possibilidade de certas empresas terem precificado seu produto abaixo do seu custo variável unitário, ou seja, com margem de contribuição negativa. O que isso significa? Significa que, em um cenário de venda em leilão sem subida de preço, a empresa, além do seu custo fixo mensal (ou seja, aquele custo que a organização teria com a planta funcionando ou desligada), arcaria com uma perda por tonelada. Trocando em miúdos, encontramos em um dos casos a possibilidade de a empresa ter precificado seu produto de forma a realizar uma margem negativa entre U$$ 25 e 35 por tonelada de biodiesel, sem considerar nesta conta o impacto relativo aos seus custos fixos (custos diretos, custos indiretos e Selo Combustível Social) ou entre US$ 35 e 40 por tonelada considerando seus custos fixos e variáveis. Por exemplo, se a empresa tem custos fixos mensais de R$ 1.000.000,00 por mês, neste cenário ela teria, além deste custo, uma perda adicional de US$ 25 a US$ 35 por cada tonelada vendida. Obviamente que estas empresas precificam desta forma sabendo que as ofertas dos concorrentes irão levar as suas para níveis superiores.

Analisando outro caso, percebemos que certa empresa precificou seus lotes de forma a atingir o seu ponto de equilíbrio, ou seja, o preço de venda pedido pela usina é capaz de cobrir seus custos variáveis e fixos, resultado em margem zero. Excluindo-se os custos fixos da conta, esta empresa precificou seus lotes de forma a realizar uma margem de contribuição entre US$ 12 e US$ 18 por tonelada de produto. Esta empresa, assim como as demais empresas utilizadas para a discussão elaborada no parágrafo anterior, está no grupo das empresas que venderiam os seus três lotes na análise “Dentro ou Fora” elaborada pelo BiodieselDATA.

Algo importante que vale ser demonstrado com o exemplo citado no parágrafo anterior é a relevância dos benefícios fiscais de ICMS e PIS/Cofins para o resultado de uma usina produtora de biodiesel. No caso em questão, se a empresa vendesse todo o seu volume pelo preço ofertado e este preço não subisse nem um centavo, tais benefícios totalizariam entre US$ 90 e US$ 105 por tonelada de produto, representando entre 9 e 12% da receita bruta de tal companhia no leilão.

Ao final do L64, a Vedana&Goulart elaborará um relatório detalhado demonstrando a perspectiva de resultado de algumas das principais usinas produtoras de biodiesel do Brasil de forma individualizada. Estes relatórios demonstrarão em detalhes como tais usinas obtiveram resultado positivo ou negativo.

Acreditamos que este será um material importante para que os produtores de biodiesel compreendam como seus concorrentes estão se saindo nos leilões; para que fornecedores de insumos e bancos tenham uma visão da sustentabilidade (ou insustentabilidade) financeira das empresas; e para que os agentes públicos entendam como as empresas, motores das políticas públicas englobadas no PNPB, estão se saindo.

Miguel Angelo Vedana e Daniel Goulart são sócios da Consultoria Vedana & Goulart