Acelen recebe sinal verde do Mubadala e fecha crédito com multilaterais
O fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes, bateu o martelo sobre o investimento na Acelen Renováveis, apurou o Reset. Com a decisão final, o acionista autoriza o início dos desembolsos de capital e financiamentos para produzir 1 bilhão de litros de diesel verde e combustível sustentável de aviação por ano na Bahia.
A decisão envolve financiamento de três bancos de fomento: do BNDES, da International Finance Corporation (IFC) e do BID Invest – braços de investimento privado do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), respectivamente.
O investimento total estimado do projeto é de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões).
Ele envolve a plantação em larga escala de macaúba, uma palmeira nativa do Brasil, e a construção de uma biorrefinaria, que vai transformar o óleo da macaúba em combustíveis renováveis.
O financiamento do BNDES está dentro de uma estrutura de project finance de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões). O empréstimo do BID Invest será de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) e da IFC de até US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão).
O braço de investimentos do Banco Mundial pode intermediar outros US$ 600 milhões em empréstimos de bancos comerciais, em uma estrutura de empréstimo A/B – a tranche A é financiada com recursos do multilateral e a B com capital privado intermediado pela IFC.
Além desses financiamentos, a Acelen já havia fechado no ano passado um empréstimo de R$ 4 bilhões do HSBC via o programa Eco Invest.
Procurado, o Mubadala não comentou.
Da semente ao combustível
O Mubadala lançou formalmente a Acelen Renováveis durante a COP28, que ocorreu em Abu Dhabi em 2023. Dois anos antes, tinha criado a Acelen como uma empresa de energia após adquirir da Petrobras a Refinaria de Mataripe, no município de São Francisco do Conde, na Bahia, por US$ 1,6 bilhão.
Para aproveitar a estrutura industrial já existente para o refino de combustíveis fósseis tradicionais, o acionista decidiu estruturar um projeto integrado de biocombustíveis no modelo seed-to-fuel – da semente ao combustível.
A macaúba tem um alto rendimento energético, mas é uma planta selvagem (foto abaixo). A Acelen, então, precisou desenvolver pesquisa e estruturar a sua cadeia de cultivo. A empresa construiu um centro tecnológico agrícola em Montes Claros (MG), inaugurado neste ano, com financiamento de R$ 258 milhões do BNDES.
Para a capacidade de produção de 20 mil barris por dia, o plano envolve o plantio da macaúba em 200 mil hectares de áreas degradadas na Bahia e no norte de Minas Gerais. Até agora, foram plantados cerca de 500 hectares (um hectare tem o tamanho de um campo de futebol).
A fábrica da biorrefinaria será construída do zero no mesmo terreno da refinaria de Mataripe. O complexo industrial já conta com acesso ao terminal marítimo Almirante Alves Câmara (Temadre), localizado a 11 km do local, para receber matérias-primas e expedir produtos acabados.
O projeto prevê a expansão da infraestrutura: construção de dois novos oleodutos de 11 km de extensão cada e uma nova linha de distribuição elétrica do mesmo tamanho; conexão de gás natural operada pela Bahiagás e interligação de água operada pela Embasa.
A expectativa é começar a construção neste ano e o início da operação em 2029 com óleo de soja e óleo de cozinha usado. À medida que a floresta comece a dar frutos, o óleo de macaúba irá substituir os terceirizados. Cerca de 80% da produção futura já foi negociada em contratos de venda antecipada (offtake) para clientes dos Estados Unidos, Canadá e Europa.
A planta vai usar uma rota tecnológica chamada Hefa, que transforma óleos vegetais em um combustível pronto para o uso, muito similar ao derivado do petróleo, sem necessidade de adaptação de motores, mas com uma pegada de carbono 80% menor.
Licenciamento ambiental
A Acelen obteve as licenças prévia e de instalação para a planta produzir SAF a partir de óleo de cozinha e de soja usados. Esse primeiro licenciamento também previa uma planta menor.
Um novo estudo de impacto ambiental foi apresentado ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) no ano passado. Agora, a empresa aguarda a aprovação de uma licença de alteração para incluir o óleo de macaúba como matéria-prima e atingir a capacidade total de produção da usina.
Thais Folego – Reset


.gif)

