Apesar da manutenção do volume total embarcado; perfil dos embarques mudou com queda na participação da glicerina destilada e aumento nas vendas de glicerina bruta
Mesmo com a redução do mandato de biodiesel para B10 ao longo do ano passado inteiro, as usinas brasileiras praticamente repetiram o bom desempenho que tiveram no mercado internacional de glicerina em 2021. Dados do governo brasileiro mostram que as exportações do coproduto totalizaram 486 mil toneladas em 2022 – queda de míseros 0,1% no volume que havia sido registrado um ano antes.
De acordo com os números mais recentes, os embarques de glicerina de maior valor agregado caíram 6,2% indo de 140,8 mil toneladas em 2021 para perto de 132,1 mil toneladas. Com isso, a fatia da glicerina destilada no total exportado caiu para 27,2%. Foi a segunda queda seguida na participação do produto de maior valor.
Mesmo com a redução do mandato de biodiesel para B10 ao longo do ano passado inteiro, as usinas brasileiras praticamente repetiram o bom desempenho que tiveram no mercado internacional de glicerina em 2021. Dados do governo brasileiro mostram que as exportações do coproduto totalizaram 486 mil toneladas em 2022 – queda de míseros 0,1% no volume que havia sido registrado um ano antes.
Os números gerais quase idênticos, contudo, revelam piora no perfil das exportações nacionais quando desdobrados. Isso porque houve perda de participação da glicerina destilada.
De acordo com os números mais recentes, os embarques de glicerina de maior valor agregado caíram 6,2% indo de 140,8 mil toneladas em 2021 para perto de 132,1 mil toneladas. Com isso, a fatia da glicerina destilada no total exportado caiu para 27,2%. Foi a segunda queda seguida na participação do produto de maior valor.
De um modo geral, a glicerina destilada vinha ganhando mais peso nas exportações brasileiras a partir de 2014. Esse processo continuou de forma consistente até 2020 quando produto atingiu a marca de 31% de participação total. Nos dois últimos anos houve contração. Primeiro para perto de 29% agora para a marca atual.
Recorde
Apesar do volume exportado ter batido no teto e da piora relativa no perfil de valor das vendas externas, o faturamento do setor com o produto nunca foi tão bom quanto no ano passado.
Em 2022, os embarques de glicerina renderam ao Brasil um total de US$ 371,6 milhões. Cerca de 30,6% acima dos US$ 284,6 milhões registrados em 2021. Convertidos pelo câmbio médio – R$ 5,16 – apurado pelo Banco Central para o ano passado, o montante se traduz em aproximadamente R$ 1,92 bilhões.
Os bons preços pagos pelos compradores na glicerina brasileira, especialmente no primeiro semestre, foram o motivo desse recorde. Os valores da glicerina vinham num processo de alta que se estendeu de agosto de 2020 até meados deste ano.
Em seu pico, a tonelada da glicerina destilada chegou a valer US$ 1.669,52 (em junho) enquanto o mesmo volume de glicerina bruta atingiu US$ 840,00 (em julho). Ambos são as maiores cotações desde que o começo da produção em escala de biodiesel tornou o Brasil um grande player no mercado global de glicerina.
Os bons tempos, contudo, parecem já ter ficado para trás. Em dezembro, a glicerina bruta já havia perdido 78,8% do valor fechando o ano em US$ 178,5 por tonelada enquanto a glicerina destilada derreteu 68,5% em relação ao seu maior preço sendo vendida por US$ 525,99
Mais China
Em 2022, os exportadores brasileiros de glicerina ficaram ainda mais dependentes da demanda de seu principal cliente. A China foi o destino de aproximadamente 72% das cargas saídas do Brasil – foram 41,2 mil toneladas de glicerina destilada e 308,4 mil toneladas do produto bruto.
Apenas um ano antes, a China foi a compradora de 61,1% de nossa glicerina com 50,5 mil toneladas de glicerina destilada e 247 mil toneladas de bruta.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com