RenovaBio

Com quebra na produção de etanol, CBio avançou 48% em setembro


Valor Econômico - 05 out 2021 - 08:55

Os preços dos Créditos de Descarbonização (CBios) registraram uma forte valorização em setembro, em meio à constatação sobre a ampla quebra na produção de etanol de cana nesta safra 2021/22 do Centro-Sul. No mês passado, os papéis foram negociados na B3 por R$ 40,57, em média, um aumento de 48% em relação ao preço médio de agosto.

O aumento da liquidez também foi expressivo. Em setembro, foram negociados 11 milhões de CBios, o que corresponde a quase metade dos volume apurado entre janeiro e agosto, período em que 23,5 milhões trocaram de mãos.

Para Annelise Izumi, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, podem ter contribuído para a alta a aproximação do prazo para que as distribuidoras comprovem a compra da cota de CBios que lhes cabe, em dezembro, e a constatação da forte quebra na atual safra de cana, que está afetando mais severamente a produção de etanol hidratado, forte gerador de CBios. Cada papel equivale a 1 tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis (entre etanol e outros renováveis de biomassa).

A analista lembra que, como boa parte do açúcar já estava comprometido para exportação com preços previamente fixados, “o etanol acabou sendo mais impactado”. “Pode ter levado as distribuidoras a se preocuparem com o volume [de CBios] que tinham que comprar”, afirmou.

As distribuidoras têm que comprar e retirar de circulação (aposentar) neste ano 25,22 milhões de CBios. Até o fim de setembro, apenas 4,8 milhões tinham sido aposentados, e 16 milhões de títulos foram comprados pelas distribuidoras, mas ainda não retirados do mercado. Elas ainda precisam comprar pouco mais de 4,1 milhões para alcançarem a meta.

Apesar de as partes obrigadas ainda não terem alcançado a meta, já há no mercado CBios suficientes para que as distribuidoras o façam neste ano. Até o fim de setembro, já haviam sido gerados 23,2 milhões de CBios. Eles se somam aos 3,9 milhões de títulos gerados no ano passado e que seguiram em circulação na passagem do ano.

A analista disse que, como a oferta de CBios é mais do que suficiente para as distribuidoras baterem suas metas, “pode ser que os preços se enfraqueçam”. Ela ressaltou, no entanto, não há garantias de que isso ocorra.

Para Guilherme Belotti, gerente da Consultoria Agro do ItaúBBA, algumas distribuidoras também podem já estar comprando CBios de olho no mercado do ano que vem, já que a meta para 2022 será maior. “Não dá pra descartar que as empresas não estão carregando para o ano que vem”, disse.

Até o momento, a meta de compra das distribuidoras em 2022, fixada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), é de 34,2 milhões de CBios, 37% maior que a deste ano. O Ministério de Minas e Energia (MME) submeteu a consulta pública uma proposta de aumento da meta para 35,98 milhões, mas ainda não houve decisão a respeito.

Camila Souza Ramos – Valor Econômico

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