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Biodiesel: ganhos ambientais, emprego e renda


Sou Agro - 22 nov 2011 - 07:00 - Última atualização em: 01 mar 2012 - 11:24

Em 2010, o Brasil possuía uma frota de mais de 64 milhões de veículos, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Desse total, cerca de 10,7 milhões eram movidos a diesel.

Desde o ano passado, 5% da mistura do combustível passou a ser composta também pelo biodiesel, produzido a partir do óleo de grãos e oleaginosas como a soja, a canola e até de gordura animal.

De olho no potencial do setor, muitas empresas vêm investindo na pesquisa e produção do biodiesel. Com isso, o Brasil deu um salto e tanto no segmento, passando de uma produção quase zero em 2005, para se tornar o segundo maior produtor de biodiesel em 2010 e o maior consumidor mundial.

“Neste ano, devemos ultrapassar a Alemanha e nos tornarmos os primeiros em produção”, disse Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, durante a Conferência Internacional do Biodiesel, que aconteceu no último dia 18 em São Paulo (SP). Ele explicou que hoje, 80% do biodiesel feito no Brasil provém do óleo de soja. “Mas algumas outras matérias-primas já vem sendo pesquisadas, como a macaúba e o pinhão manso”, disse.

Apesar dos estudos, Souza Júnior explicou que essas culturas ainda precisam ser melhor pesquisadas a fim de aproveitar ao máximo os potenciais produtivos de cada uma. “Já estamos trabalhando com o melhoramento de sementes, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.” Com isso, a previsão do pesquisador é de que “a soja continue sendo a estrela da produção de biodiesel na próxima década”.

Diante da preocupação de alguns participantes do evento em existir competição entre a produção de alimentos e de biodiesel, Andre Faaj, da universidade de Utrecht, na Holanda, explicou que ambas têm seus espaços resguardados, já que “o biodiesel é um subproduto da cadeia produtiva da soja e outros produtos, não toma o lugar dos grãos produzidos para alimentação humana”.

Exportações
Além de buscar novas matérias-primas, um dos desafios do Brasil está no mercado externo. Pelo menos é o que pensa Ricardo Borges Gomide, coordenador geral de desenvolvimento da produção e do mercado de combustíveis do Ministério de Minas e Energia. “Hoje nossa capacidade produtiva equivale ao dobro da demanda. Estamos no B5 (5% de biodiesel na mistura do diesel) e ainda não exportamos.”

Ele explicou que a demanda do mercado interno cresceu 270% nos últimos anos enquanto a ociosidade da indústria continua em 50%, graças aos investimentos das empresas em infraestrutura. Para ele, investir no biodiesel é também estimular o desenvolvimento da agricultura familiar, já que muitas matérias-primas são cultivadas por pequenos produtores rurais. Julio Minelli, da Aprobio, calcula que com a capacidade ociosa da indústria do biodiesel, já é possível chegar a 10% (B10) na mistura com o diesel.

Selo Combustível Social
Criado pelo governo federal, o Selo de Combustível Social é dado a empresas que desenvolvem trabalhos que estimulam o desenvolvimento regional e promovem a inclusão social. Segundo Gomide, em 2010, 100 mil famílias participavam da cadeia produtiva do biodiesel. “Cerca de 80% da capacidade instalada para produção de biodiesel no Brasil tem o selo social”, explicou. Essa iniciativa faz parte do Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB).

Assim, desde 2008, a Petrobrás Biocombustível trabalha com 64 mil famílias de agricultores, que recebem orientação, consultoria de gestão e manejo e até as sementes para o plantio. “Investir na cadeia do biodiesel é uma grande oportunidade para o desenvolvimento do Brasil, tanto de novas tecnologias, de logística, de sustentabilidade e renda para quem está no campo”, disse João Augusto Paiva, gerente geral da empresa.

A Vale começou a investir na produção de biodiesel para consumo próprio no Pará. Até 2014, a primeira planta de biodiesel da companhia estará a pleno vapor. A mineradora tem parceria com cerca de 2 mil famílias que plantam a palma, com orientação e respaldo da empresa.

Segundo Ivo Lourenço Fouto, diretor de pesquisa e bioenergia da Vale, durante os 25 anos previstos para a duração do projeto, a empresa estima contribuir com a redução de 12 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera com o uso do biodiesel. “Queremos ter uma matriz energética verde, que signifique redução do impacto ambiental de nossas atividades e desenvolvimento econômico para os pequenos produtores”, disse.

Mineli, da Aprobio, explica que por meio do PNPB, já foram gerados cerca de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. “Além disso, o biodiesel tem redução de 50% nas emissões de poluentes, quando comparado ao diesel de combustível fóssil”, afirmou.
Ele estima que quando a mistura de biodiesel chegar a 20%, o Brasil beneficiará cerca de 500 mil famílias que vivem da agricultura. “Investir nessa produção também significa reduzir em 200 mil as internações e em 11 mil as mortes por ano no País, causadas por poluentes no ar. É também uma questão de saúde pública.”

Juliana Ribeiro