Política

Setor de biodiesel reforça ofensiva pelo B11


BiodieselBR.com - 15 abr 2019 - 15:37

O setor de biodiesel quer aproveitar a polêmica que se instalou o redor do preço do óleo diesel para organizar seu contra-ataque. Nesta quarta-feira pela manhã, representantes da indústria terão uma reunirão com o secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis, Marcio Felix.

A ideia do setor é tentar pavimentar uma reunião com o ministro Bento Albuquerque para tentar destravar o cronograma de aumentos da mistura obrigatória já aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que se encontra congelado por oposição da Anfavea. O B11 que deveria chegar em junho pode nem vir a ser adotado.

Segundo uma mensagem assinada pelo presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, que vem circulando entre usineiros, o momento da reunião é favorável ao setor porque acontece num “momento em que o governo questiona os preços da Petrobras do diesel e [em que] temos oferta de biodiesel sobrando a preços inferiores [ao diesel] em todas as regiões do País”.

Preço atrativo

O preço médio do metro cúbico de biodiesel no Leilão 66 ficou em R$ 2.312,06.

Este valor é menor que os R$ 2.435,45 – ou R$ 2.575,23 caso a petroleira não tivesse recuado do reajuste anunciado na quinta-feira (11) – que são cobrados pela Petrobras em suas refinarias e inclui o ICMS pago pelas distribuidoras.

Segundo o documento, o aumento da mistura reduziria ainda a necessidade de importação de combustíveis. “A inexplicável importação de óleo fóssil do exterior poderia ser mitigada através da substituição crescente pelo biodiesel, mesmo que insuficiente”, diz o texto.

Oferta de paz

Além de capitalizar sobre a comparação relativamente favorável entre seu produto e o combustível fóssil que ele substitui. O setor se mostrou receptivo ao atendimento da demanda feita pelas montadoras para as misturas entre biodiesel e óleo diesel tenham estabilidade oxidativa de, pelo menos, 20 horas.

O texto de Ferrés sinaliza nessa direção ao dizer que a indústria estaria preparada para “a adoção obrigatória de aditivos antioxidantes (...) garantindo uma estabilidade à oxidação 50% maior que a da especificação atual, qual seja de 12 horas”. O restante da exigência seria atingido por meio da aplicação de boas práticas na cadeia de logística, armazenamento e distribuição do biodiesel “que resultará numa garantia de 20 horas”.

Com essa estratégia, o setor espera poder atingir uma “conciliação” com o governo e “recuperar a agenda do início do B11 de imediato” afastando o setor do “abismo desconstrutivo” no qual foi colocado pelo “descumprimento, logo no primeiro passo, da agenda de previsibilidade” criada pelo CNPE ao aprovar o cronograma para a adoção do B15 até 2023.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com