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Pacheco envia ofício a Guedes e pede que Confaz reconsidere alíquota de ICMS sobre diesel

Conselho Nacional de Política Fazendária fixou alíquota única do imposto em março. Presidente do Senado disse que órgão definiu percentual no patamar mais elevado, o que causou 'estranheza'.

G1 3 min de leitura

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enviou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um ofício no qual diz ter visto com "estranheza" a decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do dia 24 de março, que estabeleceu alíquota de ICMS única para o diesel em patamar mais elevado do que o cobrado pela maior parte dos estados.

Em março, o Congresso aprovou e o presidente Jair Bolsonaro sancionou lei que determinou aos estados a criação de uma alíquota única para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis.

Em relação ao diesel, a lei estabeleceu que, enquanto os estados, através do Confaz, não definissem a alíquota uniforme do ICMS, a base de cálculo para a cobrança do imposto sobre diesel seria, até 31 de dezembro deste ano, a média do preço cobrado ao consumidor nos últimos cinco anos.

Poucos dias após a sanção da lei, o Confaz se reuniu e os secretários estaduais de Fazenda fixaram a alíquota única do ICMS cobrada nos combustíveis. O valor estabelecido foi de R$ 1,006 por litro de óleo diesel S10, o mais usado no país. O montante definido foi mais alto do que o valor cobrado pela maior parte dos estados.

Além disso, o Confaz definiu que o valor funcionaria como um teto, permitindo a cada ente federativo aplicar um desconto sobre o valor, para manter o já era cobrado.

No documento enviado nesta segunda-feira (2) e lido pelo senador em plenário nesta terça-feira (3), Pacheco pede a Guedes, que preside o Confaz, que compartilhe suas "ponderações" com os integrantes do colegiado e que seja reconsiderada a definição da alíquota de ICMS incidente sobre o diesel com foco na "redução final dos preços ao consumidor".

"Causou-nos estranheza, portanto, quando o Confaz, em 24 de março, estabeleceu alíquota única para o diesel no patamar mais elevado vigente e permitiu que cada ente federado pudesse determinar, a seu critério, um fator de equalização de carga tributária. Ao agir assim, neutralizou e esvaziou os objetivos da lei", criticou Pacheco.

O parlamentar do PSD afirmou ainda que, com a decisão do Confaz, na prática, a alíquota não passou a ser uniforme em todo o país. E o valor praticado ignorou os parâmetros trazidos pela lei na regra de transição.

"Não contribuiu, enfim, com os esforços envidados pelo Congresso no sentido de estabelecer uma tributação equilibrada, proporcional e justa, e que busque a redução dos preços dos combustíveis", disse o presidente do Senado.

"Solicito a essa Presidência [Paulo Guedes] que compartilhe com os membros do Confaz as presentes ponderações, recomendando-lhes que reconsiderem a definição sobre a nova sistemática de tributação do ICMS sobre os combustíveis, de modo a privilegiar a justiça tributária e o interesse público, as expectativas do consumidor e a determinação do legislador, com vistas à redução final dos preços cobrados do consumidor", acrescentou Pacheco.

Gustavo Garcia e Sara Resende – G1

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