Indústria do biodiesel quer regras mais flexíveis para misturas voluntárias
Representantes da indústria do biodiesel e da bancada ruralista querem uma flexibilização das regras da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acerca do uso voluntário de percentuais de biodiesel no diesel acima do mínimo obrigatório, hoje em 15%.
O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), disse ontem que a bancada vai encaminhar à autarquia uma solicitação para que os consumidores não precisem solicitar aval da agência para usar teores maiores. Atualmente, é necessária uma autorização específica da ANP.
“Queremos que seja generalizado [o uso de misturas acima do mínimo]. Que a resolução estabeleça o mínimo e libere para quem quiser usar mais”, disse Jardim, em entrevista após reunião semanal da FPA. “Decidimos encaminhar pedido à ANP que avalie revogar a medida que estabelece limite de percentual de uso para dar liberdade. Se alguém quiser usar 100%, que possa ser estabelecido”, acrescentou.
Jardim citou os exemplos da Amaggi e da JBS, que também produzem biodiesel, e que já abastecem parte da frota própria apenas com o biocombustível (B100). Em março, a Amaggi fez sua primeira colheita de soja com maquinário movido a B100 em sua fazenda em Diamantino (MT).
Para Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), a liberação pode destravar o uso do biocombustível principalmente no campo.
A Aprobio também já solicitou à ANP a flexibilização da regra que limita a 10 mil litros o volume de biodiesel entregue pelos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRR) — que vendem diretamente a grandes consumidores, como transportadoras, indústrias e produtores rurais. “Não adianta o produtor ter a permissão para usar misturas maiores se o TRR não tiver flexibilidade”, explicou.
Para ele, essas medidas podem atender mais os consumidores do campo e desafogar a demanda por diesel, em meio às incertezas de abastecimento decorrentes da guerra no Oriente Médio.
“Não achamos justificativa, em momento de aumento do preço do diesel e de risco de abastecimento, de não ter elevação das misturas dos biocombustíveis”, afirmou Jardim. A FPA vem defendendo a elevação da mistura do biodiesel para 17% e do etanol de 30% para 32%. (Colaborou Camila Souza Ramos, de São Paulo)
Rafael Walendorff – Globo Rural



