Política

Gabrielli deve deixar Petrobras para disputar governo da Bahia em 2014


Valor Econômico - 23 jan 2012 - 09:20 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 00:36

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, deve deixar o cargo no próximo dia 12 e, no início de março, assumir uma secretaria no Governo do Estado da Bahia. Gabrielli deverá ser substituído no comando da estatal por Maria das Graças Foster, atual diretora da Área de Negócios de Gás e Energia da Petrobras, que esteve na sexta-feira à noite no Palácio do Planalto, onde se reuniu com a presidente Dilma Rousseff.

As mudanças na Petrobras foram decididas pela presidente e acertadas, há duas semanas, com o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT). A substituição visa abrir caminho para Gabrielli "se aproximar" do Estado da Bahia, onde deve se candidatar para suceder Wagner em 2014. Procurada, a assessoria da Petrobras negou, no sábado, que Gabrielli esteja deixando o comando da estatal.

Segundo apurou o Valor, a próxima reunião do Conselho de Administração da Petrobras, marcada para 13 de fevereiro, terá um dia a mais. No dia 12, um domingo, o conselho deve se reunir para referendar a decisão política. O encontro do dia 13, portanto, já seria realizado com Maria das Graças Foster à frente da companhia. A atual diretora de Negócios de Gás e Energia da Petrobras é próxima de Dilma.

Com as mudanças, o governador Wagner terá em sua equipe os dois principais pré-candidatos petistas à sua sucessão: além de Gabrielli, o atual secretário da Casa Civil, Rui Costa, é nome forte no PT da Bahia, um "petista querido por Wagner", como definiu uma fonte do PT nacional.

"Ele [Gabrielli] precisa deixar de ser um nome nacional, que vive no Rio de Janeiro [sede da Petrobras] e em Brasília, para viver e trabalhar na Bahia", disse Wagner a aliados petistas. O candidato petista para as eleições na capital do Estado, Salvador, neste ano, é Nelson Pellegrino, também aliado do trio Wagner, Gabrielli e Costa.

A saída de Gabrielli em 2012 o afastaria, também, de temas considerados "espinhosos" pela cúpula do PT, como a definição das novas regras de repartição dos royalties e das participações especiais do petróleo. Além disso, os negócios envolvendo o petróleo do pré-sal, foco principal da área dirigida por Maria das Graças Foster na estatal, passarão a ser cada vez mais centrais nos planos da empresa. Pré-candidato ao governo baiano, Gabrielli poderia entrar na mira da oposição caso continuasse no cargo por muito mais tempo. O PT quer que sua gestão de 79 meses à frente da Petrobras seja analisada como "100% técnica", disse uma fonte ao Valor.

Mestre em economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde é professor licenciado, e doutor pela Universidade de Boston, Gabrielli iniciou sua atuação na Petrobras em fevereiro de 2003, como diretor financeiro. Indicado pelo PT baiano, e fortemente apoiado por Jacques Wagner, nome forte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Gabrielli desempenhou a função até julho de 2005, quando foi alçado à presidência da estatal.

Naquele momento, auge da crise do "mensalão", Wagner passou a ocupar a linha de frente do governo Lula, e Gabrielli passou a ter o papel de "mensageiro das boas notícias", lembra um petista. "A Petrobras passou a ser a menina dos olhos do governo, servindo aos planos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do superávit primário [capitalização da estatal em 2010 ajudou o governo a cumprir a meta fiscal] e culminando com o pré-sal", afirma um graduado petista.

Gabrielli fez uma gestão na Petrobras em que procurou atender às diretrizes do governo, quase nunca favoráveis aos acionistas minoritários da empresa. Protagonizou discussões ásperas com a presidente Dilma quando ela comandou as pastas das Minas e Energia e da Casa Civil no governo anterior.

Desde o início de sua gestão, Gabrielli negou ter politizado a estatal. Em entrevistas, alegou que manteve nomes indicados pelo PSDB e que só colocou sindicalistas na área de comunicação. Quando da elaboração do novo marco regulatório do pré-sal, Gabrielli defendeu o monopólio das reservas pertencentes à União e sua exploração pela Petrobras.

João Villaverde e Fernando Exman
Colaborou Paola de Moura

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