Política

Chefia da ANP abre disputa política


Valor Econômico - 02 dez 2011 - 06:47 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 13:53

As engrenagens políticas já estãoemfuncionamento para a indicação do próximo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O cargo estará vago a partir do dia 11 de dezembro, quando acaba o mandato de Haroldo Lima (PCDOB), que ocupou o cargo por nove anos, dos quais seis como diretor-geral.

Na agência, inclusive no corpo técnico, a preferência recai sobre a engenheira química Magda Chambriard, que depois de uma carreira de 22 anos na Petrobras, foi para a ANP em 2002 primeiro como assessora da diretoria.

Ontem Haroldo Lima deu palpites sobre sua sucessão. “Um político que tem uma formação técnica e um técnico que tem uma formação política me parece uma decisão mais acertada para estar em um cargo de diretoria geral do que um puramente político ou puramente técnico”, disse após participar de cerimônia em sua homenagem, no Palácio Itamaraty, no Rio.

Lima preferiu não dizer se o seu partido, o PCDOB, indicou alguém para o cargo e frisou que a decisão final será da presidente. Segundo ele, Dilma tem uma “ótima relação” com o PCDOB e com ele. “Ela [Dilma] não vai mudar o rumo da ANP”, disse.

O diretor-geral ainda não decidiu qual será seu rumo profissional após o término do mandato, mas afirmou que “não volta de jeito nenhum” para a vida política. “Eu preferia estar em um setor mais construtivo, não parlamentar”, acrescentou.

As apostas em torno de nomes confundem-se com notícias, não confirmadas, de mudanças em algumas diretorias da Petrobras, o que tornaria mais complexo o tabuleiro de xadrez que a presidente Dilma Rousseff vai jogar. No Rio, circulam informações de que Magda iria ocupar a diretoria de exploração e produção da Petrobras no lugar de Guilherme Estrella, que teria manifestado o desejo de deixar a estatal. Mas essa tese esbarra na quarentena que os diretores da agência precisam cumprir, prazo que hoje é de um ano.

Magda é a preferida não só de Haroldo Lima como teria também a seu favor a simpatia da própria presidente Dilma Rousseff, que conheceu a diretora durante as negociações com a Petrobras para a capitalização de R$ 74,8 bilhões da estatal por meio da cessão de campos no pré-sal.

A atual diretora foi conduzida em novembro de 2008 depois de acumular duas superintendências, de exploração que depois acumulou interinamente com a de definição de blocos. Nessa ocasião já tinha se aposentado e se desvinculado totalmente da Petrobras. De perfil discreto e formação técnica já testados pela indústria, Magda tem se mostrado uma negociadora duríssima. Que o digam a Chevron, que teve cassada a licença de perfuração e que agora terá que parar de produziremumpoço, e a própria estatal onde ela entrou como estagiária. Na avenida Chile, sede da Petrobras, são lembrados até hoje os embates em torno do valor do petróleo nos campos que foram usados como pagamento, do governo, na negociação da cessão onerosa.

A legislação não exige pressa da presidente Dilma. Depois que o cargo de Lima ficar vago a presidente tem duas opções: pode indicar como diretor-geral interino um dos quatro diretores — já que o ocupante do cargo precisa ter sido sabatinado —, ou indicarum nome externo, que todavia precisará antes passar pela sabatina e aprovação do Senado Federal.

Apesar de Magda ser quase uma unanimidade para a diretoria-geral, há indicações de que o PMDB do presidente do Senado, José Sarney e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, gostaria de ter no cargo o maranhense Allan Kardec Duailibe Barros Filho (PCDOB), que se tornou diretor em 2009. Considerando que Florival Carvalho também é do PCDOB, o partido ainda manterá dois cargos na agência mesmo após a saída de Lima.

O insucesso pregresso de Lobão nas indicações que já fez para a autarquia podem ajudar a avaliar as chances que ele tem agora. Em 2008, o ministro indicou César Ramos, ex-superintendente de fiscalização da ANP que não emplacou. Ele também indicou Allan Kardec, mas esse conseguiu o cargo com o apoio do PCDOB. Outra indicação anterior de Lobão foi Dirceu Amorelli, atual superintendente de Abastecimento da ANP, que foi desbancado por Helder Queiroz.

Grande defensor do monopólio estatal no petróleo, Lima adotou um discurso mais sóbrio quando entrou na ANP. Falante, também protagonizou algumas gafes ao informar volumes gigantescos de reservas no pré-sal ainda não confirmadas. Nas últimas semanas Lima indicou dois ex-políticos ligados ao PCDOB para alguns escritórios regionais DAANP. Em São Paulo foi nomeado o ex-vereador Alcides Amazonas (PCDOB-SP), e em Porto Alegre o escritório é coordenado pelo ex-deputado federal e ex-assessor de Lima na agência, Edson Menezes Silva.

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