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Política

Brasil vai buscar autossuficiência em diesel e gás de botijão, diz ministro de Minas e Energia


O Globo - 09 abr 2026 - 11:41

Para mitigar os impactos ao consumidor, o governo anunciou nesta semana um subsídio de R$ 300 milhões para o produto, além de zerar o PIS Cofins no QAV e dar uma nova subvenção ao diesel.

Ele criticou ainda a decisão do diretor da Petrobras que autorizou um leilão de GLP, que iria aumentar o preço do botijão no país. O diretor acabou sendo demitido.

“A saída do diretor da Petrobras ocorreu após a realização de um leilão de GLP em um momento considerado sensível para o abastecimento. Por mais que respeitemos a governança, o presidente Lula manifestou o que está na alma dele, que é a indignação. A companhia captou essa indignação do presidente da República e fez o correto, que é, em um momento como esse, defender preços mais baixos para itens essenciais como GLP, gasolina e diesel”, disse.

O ministro também reforçou que o desafio de autossuficiência ocorre no diesel. Hoje, aproximadamente 27% do combustível consumido no país é importado. Recentemente, Magda Chambriard, presidente da estatal, disse que a Petrobras está reavaliando seu plano de negócios para buscar a autossuficiência no diesel.

“Não faz sentido o Brasil ser exportador de petróleo e importador de diesel. Precisamos ser autossuficientes, para não ficarmos dependentes de conflitos externos”, afirmou.

Além disso, Silveira mencionou o avanço da política de biocombustíveis, com destaque para o SAF (querosene sustentável de aviação) e a proposta de ampliação da mistura de etanol na gasolina, com o lançamento do E32, que elevará o etanol a 32% na gasolina. Lembrou do crescimento do etanol não apenas de cana-de-açúcar, mas também de milho, impulsionado por novas usinas em diversas regiões do país.

Para o ministro, o cenário internacional tende a reforçar a busca dos países por segurança energética.

“Após esta guerra, o mundo deve mudar sua estratégia, priorizando a autossuficiência, especialmente em nações com grande potencial energético, como o Brasil”, concluiu.

Silveira, afirmou que, diante do novo cenário global, o Brasil tem vantagem competitiva para avançar rumo à autossuficiência energética, especialmente no diesel. O ministro criticou ainda decisões do passado recente, apontando um retrocesso no setor de refino. Ele citou como exemplo a venda da refinaria de Mataripe, na Bahia.

Durante sua fala, Silveira também criticou a privatização da BR Distribuidora, classificando a medida como equivocada.

O ministro também ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura logística, como a construção de álcooldutos e minerodutos, com o objetivo de reduzir o transporte rodoviário e aumentar a eficiência do setor. Segundo ele, há uma estratégia em curso dentro da Petrobras para avançar nesses projetos.

Além disso, o ministro destacou o reforço na fiscalização do mercado de combustíveis. Ele afirmou que propôs a atuação conjunta da Polícia Federal com a Agência Nacional do Petróleo para monitorar preços e práticas no setor. Segundo ele, a fiscalização será rigorosa tanto sobre revendedores quanto sobre distribuidoras, independentemente do porte.

“Não vamos admitir qualquer tipo de distorção ou aproveitamento indevido neste momento de crise. A atuação será firme para garantir o equilíbrio do mercado e proteger o consumidor”, concluiu ele, ao falar em "puxão de orelha".

Etanol

Segundo Silveira, o governo está trabalhando para ampliar a participação do etanol na gasolina, como parte da estratégia de transição energética.

“O governo está trabalhando para aumentar o teor de etanol na gasolina. Para nós, o etanol é o maior exemplo de sustentabilidade do mundo. O Brasil é líder na transição energética. Estamos em fase final de estudos, mas já podemos afirmar que há uma grande chance de o etanol avançar ainda no primeiro semestre deste ano”, afirmou.

Autossuficiência

O ministro também indicou que o governo avalia alternativas para fortalecer o parque de refino no país, incluindo tanto a construção de novas refinarias quanto a recompra de ativos que foram vendidos nos últimos anos.

“Já fomos procurados pela Mubadala para a recompra da refinaria de Mataripe, e a Petrobras está avaliando essa possibilidade dentro de sua governança. A empresa só avançará se for um bom negócio”, disse.

Silveira acrescentou que a recompra de refinarias é uma das opções em análise, mas não a única.

“Esse é um caminho possível e está sendo estudado, assim como outras alternativas, como a construção de novas unidades de refino”, afirmou.

Segundo ele, as conversas entre a Petrobras e o fundo Mubadala sobre a refinaria de Mataripe têm caráter estritamente comercial e já se estendem há cerca de dois anos e meio.

Bruno Rosa – O Globo