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Política

Bolsonaro diz esperar queda no preço com importação de diesel da Rússia


Agência Estado - 11 out 2022 - 09:10

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira, 10, que espera “sentir brevemente” uma queda no preço do diesel com a importação do combustível da Rússia. Candidato à reeleição, o chefe do executivo também criticou o ex-presidente Luiz Inácio Inácio da Silva (PT), com quem disputa o segundo turno da eleição para o Palácio do Planalto.

“Nós estamos aqui com um dos combustíveis mais baratos do mundo. Se nós tivéssemos aquelas três refinarias que o Lula começou a fazer, não concluiu e torrou R$ 90 bilhões, nós teríamos um diesel também a um preço metade do que existe no momento. E está alto, reconheço que está alto, mesmo zerando os impostos federais do diesel”, disse Bolsonaro.

Às vésperas da eleição, o governo conseguiu aprovar no Congresso um projeto de lei que limitou a 17% a cobrança de ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transporte coletivo, o que gerou uma redução no preço do diesel e da gasolina.

A queda no valor do barril de petróleo no mercado internacional também fez com que a Petrobras reduzisse os preços dos combustíveis nos últimos meses. Os parlamentares aprovaram ainda a concessão de um auxílio mensal a taxistas e caminhoneiros.

“Já chegaram dois navios russos com diesel importado, não sei o preço com que chegou esse diesel aqui. Inclusive, os importadores não são a Petrobras, são importadores privados. Eles não comprariam esse diesel da Rússia se não fosse um preço mais compensador”, afirmou Bolsonaro. "Nós pavimentamos o terreno para que esse diesel chegasse aqui. Eu espero que comece a chegar com mais frequência e brevemente sentir também o preço da queda do diesel. E, caindo o diesel, a tendência da inflação é se manter lá embaixo”.

Aumento da Acelen na Bahia

Nesta segunda-feira, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, voltou a criticar a privatização das refinarias da Petrobras, depois que a Acelen elevou o diesel e a gasolina na última sexta-feira, acompanhando o movimento altista do preço do petróleo no mercado internacional.

“Temos mais uma demonstração incontestável do equívoco e da gravidade da política do governo Bolsonaro de privatização de refinarias da Petrobras. A mentira de que a venda de ativos da maior empresa do País aumentaria a competitividade e, consequentemente, levaria a reduções de preços de derivados, é, mais uma vez, denunciada pela realidade”, afirmou o sindicalista em nota.

A Acelen, do fundo árabe Mubadala, que administra a Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, aumentou a gasolina em até 15,7% e o diesel em até 11,5%, dependendo do mercado atendido. O reajuste passou a valer a partir do último sábado, 8.

Segundo Bacelar, com a venda da unidade foi criado um monopólio privado regional, que contraria a ideia de competição para reduzir preços, usado como argumento para a venda. “Com o reajuste de preço, a Bahia tem o combustível mais caro do Brasil, repetindo a posição que conquistou três meses após a privatização da refinaria, no final de 2021”, informou.

Política de precificação

Bacelar destacou ainda, que os preços elevados se devem à política de preço de paridade de importação (PPI), praticada também pela Petrobras, e que visa alinhar o preço interno com o preço internacional. “O país produz internamente, em reais, o petróleo que consome, mas com o PPI, o brasileiro paga preços dolarizados ao adquirir combustíveis”, criticou.

A Petrobras mantém os preços dos combustíveis inalterados, apesar da alta do petróleo no mercado internacional. Os últimos reajustes da estatal foram para baixo, assim que o petróleo começou a ceder, em setembro. O preço do litro da gasolina foi reduzido em 4,8% nos últimos 39 dias, e o do diesel em 4,07% há 21 dias.

Segundo a estatal, ainda há muita volatilidade no mercado para alterar os preços. Fontes próximas à empresa, porém, informam que está havendo pressão para que os preços sejam mantidos até o fim do segundo turno das eleições presidenciais, no próximo dia 30, o que pode inclusive levar à troca de diretores da companhia para garantir o congelamento.