Política

Albuquerque nega intenção de demitir-se


Valor Econômico - 17 dez 2019 - 15:54

Em meio a pressões políticas para troca de comando no Ministério de Minas e Energia, o ministro Bento Albuquerque saiu em defesa de seu trabalho e disse, ontem, que nunca pensou em deixar o cargo e que o presidente Jair Bolsonaro nunca manifestou “nenhum desagrado” ao seu desempenho. O almirante reiterou, ainda, os planos da pasta de concretizar a privatização da Eletrobras em 2020.

“Quem tem que ficar satisfeito ou não com o meu trabalho é o presidente da República. Em relação a isso, ele nunca manifestou nenhum desagrado ao trabalho que vem sendo conduzido. Causa surpresa esse tipo de notícia, porque o ministério tem um diálogo permanente com todos os setores”, disse o ministro, ao ser questionado por jornalistas sobre a pressão de parlamentares pela troca no comando da pasta.

Albuquerque descartou trocar membros de sua equipe, mas disse que há espaço para que, eventualmente, o ministério faça suas “correções”. Ele respondeu ainda às críticas ao ritmo de sua gestão, na condução de temas como a capitalização da Eletrobras.

“Naquilo que depende da gente tem sido o máximo que conseguimos entregar. Entregas tem ocorrido e outras dependem de outros Poderes, como é o caso do Judiciário e o Congresso, que tem sua dinâmica própria”, comentou.

O ministro disse acreditar que a privatização da Eletrobras ocorrerá 2020. Questionado se as eleições municipais podem atrapalhar o trâmite do tema no Congresso, ele disse que não acredita nessa possibilidade. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não atrapalha. Mas vai demandar um trabalho de esclarecimento à sociedade muito grande”, afirmou, ao participar de evento no Serviço Geológico do Brasil, no Rio.

Albuquerque comentou também sobre a possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros e disse que não há indicativo de que a paralisação se confirmará. Segundo ele, a situação, ontem, era “próxima à da normalidade”.

O ministro destacou também que o governo tem mantido um diálogo permanente com a categoria e que os indicadores econômicos apontam para um crescimento de “forma sustentável” que se traduzirá no aumento da demanda por transporte. Sobre a venda de ativos da Petrobras no Nordeste, Albuquerque defendeu que a companhia está se voltando para áreas mais rentáveis, sobretudo no pré-sal, e que o movimento é positivo, por abrir espaço para outras empresas investirem na recuperação de campos que hoje estão fora das prioridades da estatal.

André Ramalho – Valor Econômico

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