Leilões de biodiesel

Usinas falam sobre os preços do 25º leilão de biodiesel


BiodieselBR.com - 17 fev 2012 - 07:25 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 00:05

Marcado para o próximo dia 27, o 25º Leilão de Biodiesel da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) está chamando a atenção do mercado pela sensível queda nos preços máximos de referência. De acordo com o edital publicado pela agência no dia 10 de fevereiro, o biodiesel deverá ficar mais barato em quatro das cinco regiões.

No Sul e no Sudeste, a redução foi de cerca de 8 centavos o que já é uma diferença considerável para o mercado de combustíveis. No Centro-Oeste e no Norte o tombo foi ainda maior e os produtores de biodiesel vão precisar se virar com 17 e 15 centavos a menos por litro de biodiesel produzido. As usinas do Nordeste são as únicas que terão um preço maior nessa disputa e, mesmo assim, por pouco – apenas um centavo a mais.

Comparativo do preço máximo

 Leilão 25Leilão 24
SUL R$ 2,3488 R$ 2,4348
SUDESTE R$ 2,3762 R$ 2,4614
CENTRO-OESTE R$ 2,2724 R$ 2,4441
NORTE R$ 2,4289 R$ 2,5787
NORDESTE R$ 2,5606 R$ 2,5469

 
Pelo que BiodieselBR pode apurar, o mercado não ficou exatamente satisfeito com a decisão da ANP.

Este é o primeiro leilão após a introdução da lei nº 12.564, que isentou as usinas de biodiesel do pagamento de impostos como o PIS/COFINS.

Segundo João Artur Manjabosco, gerente da Camera, apesar do 2º trimestre ser o período da safra da soja – o que geralmente significa preços mais baixos da matéria-prima – as cotações internacionais da oleaginosa estão subindo o que deve significar em margens menores para as usinas. Ele, entretanto, vê na queda dos preços um sinal positivo. “A queda de 4% no preço máximo do L25 no Sul é uma sinalização muito clara que os agentes da cadeia estão conjuntamente criando um cenário positivo ao B7”, diz, lembrando que o impacto do biodiesel na inflação é um dos argumentos que têm sido utilizados para postergar novos aumentos na mistura.

Diversos empresários ouvidos por BiodieselBR se sentiram pouco a vontade para fazer previsões de como deverá ser a disputa. Segundo eles, as recentes movimentações do mercado – com empresas grandes perdendo o Selo Combustível Social, ampliações e aquisições de usinas – embolaram o meio de campo.

Veja as opiniões do mercado

João Artur Manjabosco, gerente da Camera, empresa instalada na Região Sul
Apesar de ser um período de safra (2º trimestre), o preço da principal matéria-prima (soja) está em recuperação em virtude da melhora do cenário internacional. Do último leilão para este CBOT subiu positivamente 3%. Se somarmos com a redução no preço máximo de referência em 4%, estamos falando numa redução de mais de 7%. Ou seja, sem dúvida as usinas do Sul irão operar com margens menores.

Tivemos alguns movimentos importantes nos últimos tempos – usinas que perderam o selo, aumentos de capacidade, aquisições de usinas por parte da Camera e da Oleoplan – o que nos permite esperar um leilão em linha dos anteriores.

Ailton Braga Domingues, presidente da Bioverde, empresa instalada na Região Sudeste
O valor ficou abaixo do esperado e não deverá remunerar a indústria de forma suficiente. Particularmente, eu gostaria de receber os valores que as distribuidoras pagam pelo biodiesel nos releilões.

Sobre a disputa, ainda existe muita dúvida a respeito desse leilão. Principalmente, sobre quem vai participar e em qual categoria.

Eduardo Bundyra, diretor presidente da Biotins, empresa instalada na Região Norte
Não consegui entender onde eles viram essa queda aqui para a Região Norte. A gente tem uma realidade muito parecida com a do Nordeste em termos do mercado de matérias-primas. Apesar de termos um pouco de sebo e de óleo reciclado de cozinha aqui, a gente, basicamente, traz nosso óleo de soja do Maranhão, Piauí e da Bahia. Então, não entendo porque nosso preço caiu, ao mesmo tempo que o do Nordeste subiu.

Eu ainda estou fechando as planilhas, mas já posso dizer que vamos precisar ficar muito perto do topo para que o leilão seja interessante. Também vai inviabilizar a nossa participação do mercado do Nordeste como fizemos no último leilão.

A disputa vai depender da participação da ADM e das outras usinas que perderam o selo porque isso muda completamente todas as contas. As usinas pequenas provavelmente vão sofrer como já sofreram antes. Na Região Norte, a gente ainda tem a proteção do FAL que nos deixa trabalhar, mas não com o crescimento que gostaríamos. É insensato trabalhar dessa forma.

Carlos Omar Polastri, diretor executivo da Cesbra, empresa instalada na Região Sudeste
A remuneração depende do comportamento do óleo de soja. Minha preocupação é que até o momento não tivemos nenhuma tendência de queda e o metanol teve aumento no custo. Neste caso, a redução no valor máximo de venda é preocupante. Vale ressaltar também que os contratos firmados junto à agricultura familiar na safra 2011/2012, foram majorados, aumentando significativamente o custo do biodiesel.

A minha expectativa para este leilão é que o bom senso continue prevalecendo.  Todas as empresas que efetuaram vendas com valores abaixo do custo, ou não entregaram ou amargaram grandes prejuízos. Hoje não há mais espaço para este tipo de irresponsabilidade.

Sérgio Di Bonaventura, vice-presidente Araguassú, empresa instalada na Região Centro Oeste
Para nós houve um aumento de 13% no custo da soja e uma redução de 7% no preço do biodiesel o que perfaz um diferencial de 21% a menos de remuneração. Como a Araguassú é verticalizada, tal impacto fica amenizado. Usinas cuja atividade consiste exclusivamente na transformação de óleo em biodiesel, entretanto, serão mais afetadas. No caso de grandes volumes, os impactos serão ainda maiores.

Rodrigo Prosdócimo Guerra da Bio Óleo, usina do Mato Grosso
- Os valores nos preocuparam muito, por dois motivos:
1- tira a rentabilidade, uma vez que os estados do CO são exportadores de biodiesel, ou seja, necessitamos vender em outras regiões, e onde deveria ser a melhor remuneração é a da própria localidade da usina.
2- a política adotada é desestimulante e pior ainda, é desindustrializante, ainda mais em estados onde o crescimento industrial é primordial para o próprio crescimento do Brasil.

Temos que lembrar que o fator para correções de logística é o FAL e não o preço, impor duas restrições competitivas é publicamente retirar a possibilidade de industrialização que a cadeia do biodiesel pode gerar por si só. Não podemos esquecer que o caminhão que circulará para levar matéria-prima a outros Estados produtores é o mesmo que já poderia levar o biodiesel pronto. Esta penalização dupla que está imperando não pode nortear os passos do programa, ele precisa ser corrigido.

Teremos um leilão tenso, imagino que com baixo deságio, caso as usinas queiram trabalhar com responsabilidade. O resto é pura especulação.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
Tags: L25