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Leilões de biodiesel chegam ao fim com resultado pouco expressivo

Último leilão público negociou 1.072,6 milhares de metros cúbicos de biodiesel puro

BiodieselBR.com 6 min de leitura

Este pode ter sido – ou não! – o último leilão de biodiesel da história. Se foi mesmo, o sistema de comercialização que tirou o setor de biodiesel do papel antes mesmo da estreia a da mistura obrigatória e o trouxe até aqui está chega ao fim num inegável anticlímax. Somando tudo, as distribuidoras compraram 1.072,6 milhares de m³ de biodiesel – cerca de 3% abaixo do volume que havia sido adquirido para abastecer o mercado no mesmo período do ano passado.

A queda nas vendas foi puxada pela decisão do governo de retroceder a mistura obrigatória ao B10 numa nova tentativa de segurar novas altas no preço final do óleo diesel. Esse novo corte na mistura – o quarto seguido neste ano – frustrou o setor produtiva que contava com a normalização do mercado no último bimestre de 2021.

É a comparação desfavorável entre o B11 do L76 e o B10 de agora que colocou o resultado no campo negativo. Se olharmos para as vendas em si, o resultado não pinta um mercado tão desfavorável.

Com o volume arrematado, as distribuidoras podem vender um pouco mais que 10,7 milhões de m³ de óleo diesel entre novembro e dezembro. Se confirmado, esse resultado ficaria respeitáveis 12% acima do volume que foi demandado pelo mercado brasileiro no último bimestre de 2020. Isso indica que as distribuidoras continuam otimistas em relação à demanda.

Este pode ter sido – ou não! – o último leilão de biodiesel da história. Se foi mesmo, o sistema de comercialização que tirou o setor de biodiesel do papel antes mesmo da estreia a da mistura obrigatória e o trouxe até aqui está chega ao fim num inegável anticlímax. Somando tudo, as distribuidoras compraram 1.072,6 milhares de m³ de biodiesel – cerca de 3% abaixo do volume que havia sido adquirido para abastecer o mercado no mesmo período do ano passado.

A queda nas vendas foi puxada pela decisão do governo de retroceder a mistura obrigatória ao B10 numa nova tentativa de segurar novas altas no preço final do óleo diesel. Esse novo corte na mistura – o quarto seguido neste ano – frustrou o setor produtiva que contava com a normalização do mercado no último bimestre de 2021.

É a comparação desfavorável entre o B11 do L76 e o B10 de agora que colocou o resultado no campo negativo. Se olharmos para as vendas em si, o resultado não pinta um mercado tão desfavorável.

Com o volume arrematado, as distribuidoras podem vender um pouco mais que 10,7 milhões de m³ de óleo diesel entre novembro e dezembro. Se confirmado, esse resultado ficaria respeitáveis 12% acima do volume que foi demandado pelo mercado brasileiro no último bimestre de 2020. Isso indica que as distribuidoras continuam otimistas em relação à demanda.

Na verdade, o resultado final do L82 chegou até mesmo a furar o teto das projeções de BiodieselBR.com que esperava vendas de até 1.030 mil m³.

Contratempos

Como não poderia deixar de ser, o L82 teve sua cota de problemas.

Começando pela demora do processo. No total, as negociações se prolongaram por 6 dias úteis. Aberta na terça-feira passada, a Etapa 3A durou dois dias. Já a Etapa 3B se arrastou por outros três dias. Só a Etapa 5 foi aberta e encerrada no mesmo dia.

Não bastasse a demora, o leilão sofreu com um problema técnico que levou o pregão a ser encerrado de forma antecipada. Embora não tenha causado problemas maiores, a falha na Petronect obrigou a ANP a reabrir a disputa levando a mais atrasos.

Quebrando os números

Na Etapa 3, as vendas do L82 se dividiram em: 61,8 mil m³ na Etapa 3A e 899,2 mil m³ na Etapa 3B.

O volume adquirido na rodada exclusiva das menores usinas habilitadas (MUHs) representou 5,8% do biodiesel comprado no leilão como um todo. O percentual fica abaixo da média de 6,6% que das distribuidoras compraram das MUHs desde que a rodada exclusiva para os pequenos e médios fabricantes foi instituída no L79. Já as compras feitas na rodada aberta a todas as usinas com Selo Social subiram de 82,5% para 83,8%.

Mais uma vez, o mercado teve uma Etapa 5 relativamente forte. Em termos absolutos, a última etapa do mercado regular comprou 111,6 mil m³, o equivalente a 10,4%. No histórico do mercado, cerca de 9,5% do biodiesel arrematado a cada leilão foi comprado na Etapa 5.

Nos últimos anos, a Etapa 5 vinha perdendo boa parte de sua importância. A partir do L79, contudo, o mercado passou a ter uma outra relação com a última etapa dos leilões. A mudança coincide com a divisão da Etapa 3 nas Etapas 3A e 3B. Nos últimos quatro leilões de biodiesel, as distribuidoras deixaram para comprar mais de 10% do biodiesel que precisavam no último dia do leilão

Faturamento

O L82 movimentou um pouco mais que R$ 6,38 bilhões. Embora esse valor seja 13% menor do que o apurado no bimestre anterior – quando o faturamento beirou os R$ 7,32 bilhões – ele ainda é o segundo melhor de toda a história

Mesmo comprando menos biodiesel, o valor desembolsado para abastecer o mercado cresceu cerca de 3,2% em relação ao ano passado. A movimentação financeira do L76 foi de aproximadamente R$ 6,16 bilhões.

O preço do biodiesel continua em alta. No L82, as distribuidoras pagaram uma média de R$ 5.932,30 por cada m³. O valor ficou 4,4% maior do que no L81. Esse é o maior preço do biodiesel no histórico. O biodiesel das MUHs ficou em R$ 6.875,85 por m³, 15,9% acima do preço médio das demais usinas.

Destaques

– O L82 negociou 1.072,6 mil m³;
– Desde 61,8 mil m³ foi comprada da rodada exclusiva das MUHs e 899,2 mil m³ na rodada aberta às outras usinas com Selo Social;
– A Etapa 5 movimentou 111,6 mil m³;
– A oferta das usinas foi de 1.369,7 mil m³ dos quase sobraram cerca de 297,1 mil m³;
– Em média cada m³ de biodiesel custou R$ 5.932,30 às distribuidoras;
– A movimentação financeira do L82 foi de aproximadamente R$ 6,36 bilhões;
– Dos 44 fabricantes na disputa, 14 liquidaram suas ofertas;
– 6 delas venderam 100% de sua capacidade bimestral;
– Com vendas de 135 mil m³, a Potencial foi a vencedora do L82;
– A usina de Lapa (PR) vai faturar uma média de R$ 5.806,11 o que deverá lhe render R$ 783,8 milhões em faturamento;
– Somando as vendas das usinas de Marialva (PR) e Passo Fundo (RS), a BSBios vendeu 155,6 mil m³ de biodiesel o que deverá lhe render cerca de R$ 897,5 milhões.
– A Unibras vai receber R$ 7.135,00 por cada m³ de seu produto, o mais alto do leilão;
– A BSBios de Passo Fundo teve o menor preço com R$ 5.730,57;
– A Barralcool terminou a rodada sem vender nenhum biodiesel ficando com um encalhe de 100 m³;
– O Rio Grande do Sul foi o estado que mais vendeu biodiesel com 285,4 mil m³ negociados;

O resultado completo do Leilão 82 pode ser conferido clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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