Distribuição

Petrobras fará nova oferta de ações da BR Distribuidora


Valor Econômico - 04 dez 2019 - 09:44

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse nesta terça-feira (03) ao Valor Econômico que a empresa pretende fazer outra oferta subsequente de ações da BR Distribuidora.

“Na BR vamos fazer um outro follow on [oferta subsequente de ações]”, disse Castello Branco. Ele informou que a empresa começa a trabalhar “desde já” com esse objetivo e que a operação será realizada no momento “mais adequado”.

Perguntado se haveria espaço para realizar a operação já no ano que vem, o presidente da Petrobras respondeu: “Haverá, sem dúvida. Faremos.”

Venda de refinarias

Sobre o primeiro bloco de refinarias colocado à venda, o executivo afirmou que a empresa deve receber as ofertas vinculantes “provavelmente” no início de março. Ele informou que até agora a companhia recebeu somente as ofertas não-vinculantes.

Castello Branco evitou mencionar nomes dos interessados. As primeiras quatro refinarias em oferta situam-se no Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Pernambuco.

Em uma segunda fase, ainda este ano, a Petrobras espera receber oferta não-vinculante pela Refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais. As outras três refinarias – de um total de oito a serem vendidas – virão a seguir. Elas se situam no Amazonas, no Paraná e no Ceará.

O executivo encontra-se nos Estados Unidos para evento da Petrobras com investidores amanhã na Bolsa de Nova York (Nyse), quando a companhia vai detalhar o plano de negócios para o período 2020-2024.

Dividendos

Castello Branco disse que a redução da dívida da companhia permitirá pagar dividendos maiores aos acionistas. “Quando a companhia tiver US$ 60 bilhões de dívida bruta [a partir de 2021] então poderemos pagar um pouco mais [de dividendo] de acordo com uma fórmula.”

Perguntado qual é a fórmula, ele respondeu: “É 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e o investimento. Quando chegar esse momento pagaremos.”

Até lá a companhia vai seguir o estipulado na lei das S.A., que prevê a distribuição mínima de 25% do lucro líquido para companhias abertas. “A política da Petrobras dá um horizonte ao investidor, é transparente, nós queremos ser transparentes”, disse Castello Branco.

Segundo ele, a Petrobras não tinha uma política de dividendos, a não ser seguir a lei. “Como no Brasil existe essa coisa esdrúxula que é uma lei que obriga as empresas a pagar dividendos e ter um dividendo mínimo, nós fixamos a política”, afirmou.

PIB e privatizações

O executivo ainda opinou sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado hoje pelo IBGE, e crê que a economia brasileira está começando um ciclo de “recuperação sustentável” e que vai crescer pelo menos 1% em 2019.

“Acho que a economia está retomando. Tem vários sinais disso: as vendas reagem na ponta, estão melhorando bastante. A criação de emprego está acontecendo, a expansão do crédito no setor privado está sendo forte, os financiamentos imobiliários também, há taxas de juros mais baixas, mais crédito, o mercado de capitais tem ido bem, suportado não só por emissões de ações, mas de dívida. A economia está começando um ciclo de recuperação sustentável”, disse.

Castello Branco disse que as perspectivas para 2020 são boas para o país. “Acredito que essa recuperação, ao contrário de outras, é sustentável. Se olhar a relação dívida pública/PIB, que se esperava acabasse o ano em 80%, vai ser mais baixo que isso. O déficit nominal do governo vai ser menor. O déficit primário bem menor que o previsto. Está havendo um ‘crowding in’ [entrada da iniciativa privada na economia], o setor privado está crescendo. O Ministério da Economia fez cálculos que mostram que o setor privado está crescendo mais de 2% ao ano enquanto o setor público está retraindo 1%. Quem está puxando para baixo o crescimento é o setor público.”

Ele também avaliou que uma eventual privatização do Banco do Brasil deverá enfrentar resistências no meio político. “Acho difícil [a privatização do BB] porque o presidente [Jair] Bolsonaro não quer. Ele selecionou algumas estatais que não quer privatizar. São três: Banco do Brasil, Caixa e Petrobras”, disse.

O executivo, que é próximo do ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu que a área econômica do governo tem o desejo de privatizar o Banco do Brasil, mas avaliou que haverá resistências no meio político. “Depende do Congresso Nacional. Acho que o governo não teria sucesso em um projeto desse tipo porque envolve muitos interesses regionais, locais”, afirmou.

Francisco Góes – Valor Econômico