Distribuição

Casa Civil discute o peso dos caminhões no transporte de biodiesel


BiodieselBR.com - 13 nov 2012 - 17:22 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
reuniao abiove_peso_caminhoes_131112
Um grupo de representantes da cadeia do biodiesel e da indústria de transportes de cargas esteve hoje (13) em Brasília onde apresentou à equipe da Casa Civil um conjunto de propostas para resolver de vez o problema do excesso de peso que há anos vem rendendo multas para os caminhões-tanques que carregam biodiesel. A ideia é apresentar um documento na próxima reunião do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em 27 de novembro.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é uma das organizações que mais tem se esforçado para tentar solucionar o problema. Segundo o assessor econômico da entidade, Leonardo Botelho Zilio, o excesso de peso tem sido uma pedra no sapato para o setor desde 2010.

Números da Abiove indicam que cerca de 3% dos carregamentos de biodiesel acabam sendo multados.

Densidade
A raiz do problema está na densidade do biodiesel (ela é variável, mas fica na faixa entre 0,88 e 0,90 gramas por centímetro cúbico) que é ligeiramente superior à do óleo diesel mineral (0,85 gramas por cm³). A diferença não chega a ser tão grande, mas já é o suficiente para que muitos caminhões-tanque carregados de biodiesel levem multas por ultrapassar o limite de peso estabelecido pela Contran.

Segundo Leonardo, o problema fica ainda mais complicado porque – ao contrário dos derivados de petróleo que tem uma densidade mais estável –, a quando se pensa que a densidade do biodiesel teima em não ficar quieta. “Ela [a densidade do biodiesel] não é homogênea como nos outros produtos, ela varia em relação à matéria-prima utilizada em sua produção e a temperatura do dia”, diz o economista.

Para complicar, o mercado de combustíveis é pago por volume e não peso. Como a ANP determina que os caminhões-tanque possuam setas indicativas devidamente aferidas pelo Inmetro que, basicamente, indicam quando ele está carregado com um determinado volume de combustível – assim vendedores e compradores podem se entender sobre os volumes comercializados – o peso extra do biodiesel tem causado prejuízos.

Carregar um combustível mais pesado usando as mesmas setas usadas para o diesel mineral, portanto, se tornou um grande contratempo para todo o segmento. E, via de regra, um caminhão-tanque bitrem carregado de biodiesel ultrapassa o limite máximo de 57 toneladas determinado pelo Contran. Isso, mesmo com a Câmara Temática de Assuntos Veiculares dando uma tolerância de 5% para os carregamentos de biodiesel.

Para o grupo que foi hoje à Casa Civil isso ainda não é o suficiente. “Fizemos um levantamento das multas recebidas nos últimos meses e a tolerância de 5% resolveria apenas 38% dos casos. A gente precisa de 9% de tolerância para que as multas não sejam mais lavradas”, pontua.

Proposta
O grupo levou dois meses para elaborar um plano de ação que tem como objetivo resolver o problema. O plano inclui a elaboração de um manual de boas práticas para o segmento e a implementação de uma nova seta indicativa devidamente calculada em função das especificidades do biodiesel.

Não é tão simples como pode parecer. Uma seta para o biodiesel significará que os caminhões precisarão rodar com os tanques um pouco mais vazios o que desestabiliza os veículos e aumenta o risco de acidentes e tombamentos. “Quanto mais espaço vazio, maior o risco de tombamento. Você precisaria reduzir a velocidade máxima para compensar”, diz Zilio. Ele ainda acrescenta que o grupo de entidades contratou uma consultoria para determinar as margens de segurança e chegaram ao número de 20% de espaço vazio antes dos riscos se tornarem maiores.

Segundo, Leonardo a solução de longo prazo seria mesmo que os caminhões-tanques usados no transporte do biodiesel fossem dimensionados em razão do produto de forma a afastar qualquer risco maior. Os fabricantes de implementos já possuem novos projetos. “A gente precisa de uma frota que tenha tanques um pouco menores do que os que temos hoje. Queremos ter isso em, no máximo, cinco anos”, completa.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com