Motores

Volkswagen reconhece ter fraudado níveis de emissões de NOx


France Presse - 22 set 2015 - 18:04
VolksFraude 220915
A Volkswagen admitiu nesta terça-feira (22) que instalado um dispositivo que altera os resultados dos testes de controles de emissões poluentes em 11 milhões de veículos a diesel. A fraude aconteceu em modelos de várias marcas pertencentes ao grupo de origem alemã em todo o mundo.

É a primeira vez que a montadora admite a manipulação em carros fora dos Estados Unidos. O escândalo veio à tona na última quinta-feira (17), quando o governo norte-americano denunciou a fraude em 500 mil veículos vendidos no país. Segundo a investigação, um software burla os dados de emissão de poluentes quando os carros são testados, para que sejam atendidos os níveis de óxidos de nitrogênio (NOx) exigidos nos EUA.

No domingo (20), o presidente mundial da empresa, Martin Winterkorn, pediu desculpas pelo ocorrido, sem citar que a prática envolvia outros mercados, além do norte-americano.

Apesar de admitir hoje que a falha atinge outros mercados, não foram especificados em que outros países estão esses veículos. A Volkswagen anunciou ainda que reservou € 6,5 bilhões para solucionar o problema e enfrentar as potenciais consequências do escândalo.

Nesta terça, as ações do grupo operavam em queda de mais de 20% na Bolsa de Frankfurt.

Denúncia

Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana, 482 mil veículos com motores a diesel vendidos no país violaram os padrões federais, entre eles os modelos Jetta, New Beetle (chamado de Fusca no Brasil), Golf, Passat e o Audi A3 – da marca que pertence ao grupo Volkswagen. Esses carros usam o motor EA 189 e foram fabricados entre 2009 e 2015.

A desconfiança partiu da diferença entre níveis de emissão encontrados em testes de rodagem e os oficiais. Após investigar, a EPA concluiu que um software instalado pela montadora detecta quando o carro está sendo inspecionado para verificar o nível de emissão de poluentes e só então passa a controlar os gases que o veículo solta na atmosfera.

Esse controle fica desligado em situações normais de rodagem, fazendo com que os carros poluam muito além do nível exigido no país.

Empresa

Em seu comunicado, a Volkswagen assumiu que há distorções entre os números de testes em laboratório e os de testes de rodagem "especificamente" para os motores EA 189. Segundo a montadora, outros veículos possuem o software, mas sem que ele provoque qualquer efeito.

"A Volkswagen está trabalhando intensamente para eliminar essas distorções, por meio de medidas técnicas", disse a montadora nesta terça. "A Volkswagen não tolera nenhum tipo de violação da lei."

Nos EUA, a Volkswagen será obrigada a consertar os veículos gratuitamente, convocando um recall. A montadora disse que também está em contato com o governo alemão, que pediu uma apuração do caso.

A investigação nos EUA é a mesma que multou Hyundai e Kia por fraude nas informações sobre o consumo médio de combustível de 1,2 milhão de carros, em 2012.

Com adaptações de BiodieselBR.com