Índice de não conformidade do óleo diesel medido pela ANP apresentou piora pelo terceiro mês consecutivo
A qualidade do diesel consumido do Brasil abriu 2019 com más notícias. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o percentual de amostras reprovadas pelos laboratórios que integram a rede do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) abriu o ano em alta e atingiu seu pior resultado dos últimos quatro meses.
A qualidade do diesel consumido do Brasil abriu 2019 com más notícias. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o percentual de amostras reprovadas pelos laboratórios que integram a rede do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) abriu o ano em alta e atingiu seu pior resultado dos últimos quatro meses.
Em janeiro praticamente 3,8% das amostras de óleo diesel recolhidas apresentaram um ou mais problemas de qualidade. No total, foram coletadas 2.752 amostras – número idêntico ao de dezembro passado – das quais 104 acabaram reprovadas pelos laboratórios. São 12 amostras fora de especificação além das 92 descobertas em dezembro.
Esse resultado consolida uma tendência de piora que se iniciou em novembro. Este foi o terceiro mês seguido de crescimento da não conformidade no óleo diesel. Dessa vez, no entanto, a piora não veio na forma de um pico repentino no número de ocorrências como o visto em abril ou julho do ano passado; mas está acontecendo de forma gradual. Entre outubro e o mês passado, o índice de não conformidade subiu 0,9%.
Ano ruim
Isso mostra que o mercado está tendo dificuldades em voltar aos trilhos depois de um 2018 particularmente sofrível. No ano passado, a qualidade do diesel medida pelo PMQC foi a mais baixa desde que a adição de biodiesel ao combustível se tornou compulsória em 2008. O indicador se aproximou de 4,1%.
Nos primeiros anos do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), a qualidade do diesel teve uma piora considerável indo de 2,2% em 2008 para 3,6% em 2010. Em 2011, houve uma melhora considerável nos números que se mantiveram relativamente bem-comportados até 2016. De lá para cá, no entanto, tivemos uma nova virada para pior.
Bipolar
Olhando os números mensais está claro que o mercado ficou mais dado a apresentar variações bruscas na qualidade do diesel.
Do começo de 2010 até perto do final de 2016, a não conformidade apresentava variações relativamente estreitas de um mês para o outro. O maior salto nesse período foi entre março e abril de 2012 quando o indicador subiu 2,1 pontos percentuais.
Desde o final de 2016, as mudanças de humor ficaram mais abruptas e já tivemos saltos de praticamente 5,2 pontos percentuais.
O teor de biodiesel continua sendo a característica individual que mais leva a reprovações de amostras. Foram 44,9% em janeiro, praticamente igualando o resultado de dezembro.
Vale ressaltar, no entanto, que a média do ano passado foi de 55% indicando uma relativa melhora nesse critério de qualidade.
Em janeiro, é o teor de enxofre que surge como maior vilão da qualidade do diesel. Em dezembro, essa especificação representou 18,2% das reprovações que avançou para 35,6% em janeiro.
Estados
Dos 19 estados que têm seus mercados acompanhados pelo programa da ANP, 10 apresentaram números piores em janeiro. Já em sete casos houve melhora e em dois os resultados ficaram estáveis.
O Amapá que já vinha de um dezembro ruim, teve um janeiro realmente péssimo. Mais de um quinto – 22,2% – das amostras de diesel coletadas em postos amapaenses durante o mês passado apresentaram problemas.
Ceará (12%), Pará (10,9%) e Rio Grande do Norte (16,4%) tiveram indicadores particularmente ruins em janeiro. No caso dos potiguares, esse é o segundo mês de números pouco lisonjeiros.
Alagoas teve uma melhora considerável indo de 10,4% em dezembro para 4% em janeiro. A Paraíba também tem do que se gabar. Pelo segundo mês seguido não foram detectados problemas no combustível consumido no estado.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com