Dados do PMQC mostram que a não conformidade do óleo diesel superou os 4% em 2018
O ano passado foi bem ruim para a qualidade do óleo diesel consumido no Brasil. Segundo dados divulgados nessa quarta-feira (16) pelo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), 2018 encerrou com um índice de não conformidade beirando os 4,1%. Esse foi o pior resultado anual desde que a adição de biodiesel se tornou obrigatória em 2008.
O ano passado foi bem ruim para a qualidade do óleo diesel consumido no Brasil. Segundo dados divulgados nessa quarta-feira (16) pelo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), 2018 encerrou com um índice de não conformidade beirando os 4,1%. Esse foi o pior resultado anual desde que a adição de biodiesel se tornou obrigatória em 2008.
Ao longo do ano, os laboratórios responsáveis pela execução do PMQC coletaram 32.765 amostras em 20 unidades da federação. Destas 1.338 apresentaram um ou mais problemas de qualidade.
Até hoje, o pior resultado anual havia sido registrado em 2010, quando a não conformidade passou dos 3,6%. Naquele ano, um salto da não conformidade depois da introdução do B5 causou uma grande celeuma entre distribuidores e revendedores de combustíveis de uma lado e usinas de biodiesel do outro. A situação só seria completamente pacificada dois anos mais tarde quando a ANP publicou uma nova especificação para o biodiesel com parâmetros de qualidade mais rígidos.
Desde então, a situação tem permanecido razoavelmente sob controle. Nos últimos oito anos, a não conformidade só superou a marca dos 3% apenas em 2015 e 2017 – grosso modo coincidindo com a introdução de novos aumentos da mistura obrigatória.
Vai e vem
Com a chegada do B10 em março passado, seria de se esperar um movimento similar. Em 2018, no entanto, os problemas parecem ter mudado de patamar.
Em ocasiões anteriores, a introdução da nova mistura pode ser associada a um aumento nas ocorrências e uma melhora consistente nos meses seguintes. Dessa vez, no entanto, tivemos um pico em abril logo depois da introdução do B10, uma melhora significativa até o mês de junho e, então, um segundo e inesperado pico – ainda maior que o primeiro – em julho seguido de nova melhora.
Nos últimos dois meses, os índices vêm apresentando uma piora moderada. Em dezembro, tivemos 92 amostras reprovadas num universo de 2.752 coletas – pouco mais de 3,3%.
Problema de Teor
O problema mais grave tem sido – de forma recorrente – com o parâmetro teor de biodiesel. As tabelas disponibilizadas pela ANP mostram qualquer 44 das amostras reprovadas no mês de dezembro apresentaram falha nesse quesito de qualidade.
Em julho – o pior mês da história – problemas com a adição de biodiesel ao óleo diesel foram detectados em 71% das amostras reprovadas pelos laboratórios do PMQC.
Esse indicador aponta para dificuldades no lado das distribuidoras. São elas quem operacionalizam a mistura entre o biodiesel entregue pelas usinas e o diesel fóssil comprado da Petrobras. A qualidade do biodiesel e as usinas não tem qualquer influência nesse quesito.
Quadro incompleto
Vale ressaltar, no entanto, que estamos lidando com um quadro incompleto do mercado nacional. Das, 27 unidades da federação, PMQC produziu dados sobre apenas 20 ao longo deste ano.
Por falta de laboratórios contratados para fazer as coletas e análises, não há qualquer informação a respeito do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Os maiores problemas com a qualidade do diesel estão concentrados num grupo de seis estados. Alagoas teve o diesel do ano com um índice de não conformidade próximo de 13,7%. Completam o grupo: Maranhão (9,2%), Pará (6,8%), Amapá (5,6%), Rio de Janeiro (5,2%) e Bahia (4,4%).
Todas as outras 14 unidades da federação tiveram índices de não conformidade inferiores à média nacional. O melhor resultado do ano coube ao Paraná com apenas 2,1%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com