Posicionamento da agência contradiz posição consolidada pelos fabricantes de motores em relatório do MME
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não está convencida de que a falta de estabilidade oxidativa do biodiesel esteja na raiz os problemas identificados pela indústria automotora ao longo o programa de testes de motores convocados para validar o uso do B15. Publicado no começo deste mês, o relatório final – embora ressalte que, na maioria, os “resultados foram positivos e satisfatórios” – opta por apresentar um “parecer geral pela continuidade da investigação do uso de biodiesel em maiores proporções”.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não está convencida de que a falta de estabilidade oxidativa do biodiesel esteja na raiz os problemas identificados pela indústria automotora ao longo o programa de testes de motores convocados para validar o uso do B15. Publicado no começo deste mês, o relatório final – embora ressalte que, na maioria, os “resultados foram positivos e satisfatórios” – opta por apresentar um “parecer geral pela continuidade da investigação do uso de biodiesel em maiores proporções”.
A falta de um consenso entre as partes envolvidas nos testes se tornou o ponto pivô numa nova disputa dentro da cadeia.
Enquanto os fabricantes de biodiesel apontam que 41 dos testes realizados concluem pela viabilidade do aumento da mistura obrigatória para cobrar que o governo siga com o cronograma de aumentos da mistura obrigatória aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Já as montadoras lideradas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ressaltam que os três resultados negativos já são suficientes para pisar no freio.
No meio do caminho, o MME decidiu por adiar a implementação do B11 por pelo menos mais alguns meses.
Mais estabilidade resolve?
Apesar de todo o atrito, parece haver um ponto de relativo consenso: se endurecer o parâmetro “estabilidade oxidativa” na especificação para evitar que a qualidade do óleo diesel se degrade ao longo da cadeia de distribuição, a chegada do B11 fica mais próxima.
“[As montadoras] apontaram, de forma quase unânime, a necessidade de incluir na norma de qualidade da ANP o parâmetro da ‘estabilidade à oxidação’. Sugerem a definição desse parâmetro em 20 horas (mínimo)”, diz o relatório do MME. Mesmo os fabricantes com quem BiodieselBR.com conversou sobre o assunto parecem concordar com esse ponto.
A única exceção notável vem da ANP. Segundo a contribuição da agência reguladora incluída entre os anexos do relatório não é possível ligar os problemas que surgiram durante os testes à oxidação da mistura. “Não foi demonstrado, de forma inequívoca, uma correlação direta entre os problemas apontados nos testes realizados e os valores de estabilidade à oxidação do combustível testado”, ressalta o texto acrescentando que não há justificativa para fixar o mínimo em 20 horas.
Entrando na articulação
De qualquer forma o Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT) da ANP mantém um grupo de estudos sobre “Parâmetros Críticos” que desenvolve pesquisas sobre parâmetros de qualidade das misturas entre biodiesel e diesel mineral que deverá passar a estudar de forma mais detida a estabilidade oxidativa entre B15 e B30 e apresentará os resultados em até 7 meses.
Como parte desse esforço, a agência vai realizar na manhã no próximo dia 08 de abril um workshop chamado “Qualidade do Biodiesel e suas Misturas” que incluirá reuniões com fabricantes de biodiesel, governo e produtores de antioxidantes.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com