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ANP ainda avalia motivos para Teor de Biodiesel elevar não conformidade

Desde novembro, o Teor de Biodiesel tem sido o fator mais importante na piora da qualidade do diesel. Passados quatro meses, a ANP ainda não conhece as causas do fenômero.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Desde novembro passado, o quesito Teor de Biodiesel se tornou o principal motivo para a não conformidade do diesel no Brasil. Passados quatro meses, a ANP ainda não sabe o motivo desse fator ter se tornado o mais importante para a piora da qualidade do diesel brasileiro. 


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Desde novembro passado, o quesito Teor de Biodiesel se tornou o principal motivo para a não conformidade do diesel no Brasil. Passados quatro meses, a ANP ainda não sabe dizer o motivo dessa mudança tão importante no perfil da qualidade do diesel consumido pelos brasileiros.

O que chama a atenção não é tanto o fato do quesito aparecer na liderança do ranking da não conformidade do diesel – isso já aconteceu outras vezes –, mas a forma recorrente com que o Teor de Biodiesel tem despontado como o principal fator para a rejeição das amostras diesel desde que o B7 se tornou o novo patamar de mistura em novembro passado.

Considerando a coincidência com a introdução do novo patamar de mistura, o crescimento no número de casos de desvio no Teor de Biodiesel poderia – muito bem – ser um indicio de uma situação mais complicada como dificuldades de adaptação por parte das distribuidoras ou, até mesmo, da emergência de um esquema de fraudes na mistura. Por isso, BiodieselBR.com procurou a agência para tentar saber quais seriam as explicações para essa mudança repentina no ranking das principais causas de inconformidades no óleo diesel consumido no mercado brasileiro.

Contudo, por meio de sua assessoria de imprensa, a ANP restringiu-se a dizer que “os resultados observados para o teor de biodiesel ainda estão sendo avaliados”. Ou seja, quatro meses depois do problema surgir, ainda não há uma explicação.

Distribuidoras 

A reportagem também contatou as principais entidades representativas do setor de distribuição a fim de saber se a elevação no índice de reprovação das amostras de óleo diesel em função do teor de biodiesel poderia estar associada à alguma dificuldade técnica imprevista.

Todas negam que suas filiadas estejam enfrentando algum tipo de problema para efetuar o novo patamar da mistura obrigatória.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) afirma que suas associadas “estão aptas para a adequada mistura de 7%”.

O Sindicato das Distribuidoras Regionais Brasileiras de Combustíveis (Brasilcom) também descarta estar enfrentando qualquer contratempo para adicionar mais biodiesel ao diesel. "O Brasilcom não recebeu, de qualquer uma de suas 41 associadas, informação de que teriam sido notificadas por divergência no teor de B100 na mistura com o diesel que comercializam”, declara o diretor institucional da entidade, Sergio Massillon.

Revenda

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) relata que, nos primeiros dois meses após a entrada em vigência do B7, foram detectados alguns “problemas” na revenda, mas que eles foram “equacionados”.

Entretanto, salienta que o aumento no índice de não conformidade do óleo diesel se deu, “coincidentemente ou não, após o aumento da mistura para 7%”.

A qualidade do óleo diesel despencou desde em novembro de 2014. O índice de não conformidade que, em outubro, era de 3,71%, saltou para 4,34% no mês em que o B7 passou a vigorar. Em dezembro, o nível de inconformidade do derivado do petróleo voltou a cair, mas voltou a registrar novas altas em janeiro e fevereiro deste ano.

A Fecombustíveis observa ainda que, quando houve o ingresso do B5, em 2010, a revenda foi um dos segmentos mais prejudicados com a formação de borras e de sedimentos nos tanques e filtros.

“Além das multas por não conformidade, respondemos também por processos na Justiça, acionados pelo consumidor”, lembra Ricardo Hashimoto, diretor de postos de rodovia da Fecombustíveis. “Por conta dessa experiência, a atenção está sendo redobrada e os custos com manutenção e limpeza dos tanques e troca de filtros devem aumentar este ano para evitar futuros problemas com a qualidade do diesel, uma vez que as autuações recaem sempre sobre a revenda.”

Aspecto

Além do Teor de Biodiesel, outro fator teve uma mudança importante na não conformidade do diesel: o Aspecto. Antes de novembro, esse quesito costumava ser o campeão disparado da inconformidade em amostras diesel, mas, nos dois, últimos meses ele aparece zerado.

No entanto, neste caso, a explicação é mais fácil. Ela é reflexo da implementação, em dezembro passado, da Resolução ANP nº 69/2014 que – a exemplo do que a Resolução ANP nº 45/2014 definiu para o biodiesel – determina que amostras de óleo diesel com aspecto diferente de "límpido ou isento de impurezas" devem passar por análises adicionais: de "teor de água" e "contaminação total" para o diesel S10, e "teor de água" e "água e sedimentos" para o diesel S500.

Somente se um desses testes apresentar resultado fora do limite especificado, o produto será considerado não conforme. Do contrário, terá sua conformidade validada.

O efeito é que, na prática, mais nenhuma amostra de diesel é recusada exclusivamente com base no aspecto.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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