Pesquisa

[Vídeo] Pesquisador explica integração entre produção de cogumelos e biocombustíveis


TV NBR - 27 abr 2016 - 17:46

Pesquisa identificou espécies de cogumelos capazes de tirar a toxidade das tortas de pinhão manso e algodão. Esses subprodutos podem virar ração animal, enquanto os óleos das sementes são matérias-primas para biocombustível. O pesquisador da Embrapa Agroenergia Félix Siqueira explica no programa Conexão Ciência desta terça-feira (26) como a produção de cogumelos pode agregar valor à cadeia do biodiesel aproveitando os resíduos gerados nas usinas.

O óleo do caroço do algodão já compõe cerca de 2% das matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel; o pinhão-manso ainda é uma espécie em processo de domesticação, mas tem grande potencial de integrar as cadeias produtivas de biocombustíveis, já que possui elevada produtividade de óleo vegetal.

Um desafio, contudo, é encontrar aplicações com maior valor agregado para as tortas – nome dado ao resíduo sólido que sobra após a extração do óleo. Ricas em proteína, a aplicação mais comum das tortas de oleaginosas é o uso como ração animal. É o caso do farelo de soja. O caroço do algodão, contudo, contém um composto tóxico chamado gossipol. Ele tem sido utilizado na alimentação animal, mas apenas de ruminantes (bovinos, caprinos, etc) e em concentrações limitadas. Não é possível, portanto, atender o mercado de animais monogástricos, como aves, suínos e peixes.

No pinhão-manso, a substância tóxica presente na maioria das variedades, o éster de forbol, é ainda mais "potente". Nem em concentrações muito baixas pode ser oferecida para animais ruminantes sem um processo de destoxificação. O cultivo de cogumelos capazes de destoxificar as tortas, assim, é uma alternativa para integrar as cadeias produtivas de biocombustíveis e alimentos.