Pesquisa

Pesquisadores aperfeiçoam algodão cujo caroço é livre de toxidade


BiodieselBR.com - 29 out 2012 - 16:22 - Última atualização em: 30 out 2012 - 15:56
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Cientistas do Centro de Pesquisa Vegetal Leyendecker da Universidade Estadual do Novo México, nos Estados Unidos, estão trabalhando no desenvolvimento de uma variedade de algodão livre de gossipol. Presente no caroço de algodão, o composto tóxico está presente no óleo e ao farelo, o que limita seu uso na alimentação humana e com a maioria dos animais, já que ruminantes conseguem metabolizar a substância sem maiores problemas.

A nova cultivar que está em desenvolvimento permitiria que os produtos obtidos a partir do processamento do caroço de algodão fossem aproveitados sem a necessidade de serem submetidos a processos especializados de desintoxicação. Isso abriria novos mercados aos cotonicultores e aumentaria a rentabilidade da cultura. “Estamos procurando aproveitar a semente, a casca e outros coprodutos para adicionar valor e tornar o algodão mais rentável aos agricultores”, disse o superintendente do Centro Leyendecker, Tracey Carrillo.

As pesquisas nesse sentido começaram há cerca de dois anos quando o pesquisador chefe do programa de melhoramento de algodão da universidade, Jinfa Zhang, começou a cultivar variedades atóxicas algodão Acala e constatou que várias delas poderiam apresentar bom rendimento tanto na produção de pluma de algodão, quanto em biomassa na forma de caroço.

O trabalho vem sendo custeado pela Cotton Incorporated, uma empresa norte-americana que vem buscando novos usos para essa commodity. “Muitas pessoas não percebem que o algodão pode ir muito além da produção de fibras para jeans e camisetas. O caroço de algodão é muito rico em óleo e proteínas”, comenta o diretor de pesquisa da companhia Tom Wedegaertner.

Ciclo fechado
Para comprovar o potencial de mercado dessa nova variedade, o óleo de algodão produzido pelas lavouras experimentais da universidade já está sendo usado pelos restaurantes do campus. Segundo os pesquisadores, o produto é isento das perigosas gorduras trans e possui índices baixos de gorduras saturadas, o que faz dele um óleo de boa qualidade para o uso culinário.

Posteriormente, o óleo usado é coletado e convertido em biodiesel. O biocombustível é, então, usado nos veículos dos restaurantes e no maquinário agrícola do próprio Centro Leyendecker.

No Brasil, o óleo de algodão é a terceira matéria-prima mais utilizada pela indústria do biodiesel correspondendo a 4% da produção registrada até agosto passado.

Em 2006, um artigo publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos calculava que a produção anual de caroço de algodão chegava a 44 milhões de toneladas anuais, mas não podia ser aproveitada em larga escala por causa do gossipol. Variedades atóxicas existem desde os anos 1950, mas sua produtividade era menor do que a apresentada pelas convencionais.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações G1 e NMSU