Pesquisa

Pesquisador brasileiro testa célula combustível à base de glicerina


Agência Fapesp - 10 dez 2019 - 15:01

Um pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC) está unindo dois produtos aos quais o Brasil tem acesso facilitado – a glicerina e o nióbio – para desenvolver uma célula a combustível capaz de gerar eletricidade para pequenos dispositivos eletrônicos. A pesquisa foi publicada como matéria de capa pela revista científica especializada em eletroquímica chamada ChemElectroChem.

A glicerina é um coproduto da indústria de biodiesel. Desde que o Brasil oficializou a adição obrigatória de biocombustível ao diesel de petróleo, o pais vem exportando quantidades cada vez maiores da substância. Este ano, as exportações de glicerina já se aproximam de 362,5 mil toneladas.

O Brasil concentra aproximadamente 98% das reservas ativas de nióbio do planeta. O mineral é utilizado na composição de ligas metálicas –principalmente de aço de alta resistência. Hoje, praticamente toda a produção brasileira é destinada à exportação.

“Em princípio, a célula funcionará como uma pilha, alimentada por glicerol, para recarregar pequenos dispositivos eletrônicos, como telefones celulares ou laptops, podendo ser usada em regiões onde não há linha de transmissão elétrica”, diz o químico Felipe de Moura Souza, autor principal do artigo. Num segundo momento ela “poderá ser adaptada para fornecer energia elétrica a automóveis e até a pequenas residências”.

A célula desenvolvida por Felipe converte em energia elétrica a energia química da reação de oxidação do glicerol no ânodo e de redução do oxigênio do ar no cátodo. A substância se decompõe em gás carbônico e água.

Nióbio

O nióbio entra no processo como um catalisador acelerando as reações químicas que geram eletricidade. No sistema criado na UFABC, o mineral atua em conjunto com o paládio.

A adição do nióbio possibilita reduzir pela metade a quantidade de paládio, barateando o custo da célula – um grama de paládio custa US$ 61,24 enquanto o ouro sai por US$ 47,08 – ao mesmo tempo em que aumenta sua potência. Além dessas vantagens o nióbio protege o paládio aumentando a longevidade dos equipamentos.

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José Tadeu Arantes – Agência Fapesp