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Pesquisa

Instituto avança na transformação de esgoto em biodiesel


BiodieselBR.com - 13 abr 2012 - 07:25
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A conversão de lixo em riqueza tem sido o foco do trabalho dos pesquisadores do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na área de biodiesel. Eles já são referência no reaproveitamento de óleos e gorduras residuais (OGRs) e, atualmente, estão aperfeiçoando uma planta piloto de transformação de escuma de esgoto em biodiesel. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Companhia Estadual de Água e Esgotos (CEDAE) do Rio de Janeiro.

Segundo o pesquisador responsável pelo Laboratório de Apoio à Produção de Biodiesel do Ivig, Luiz Guilherme Marques, escuma de esgoto é um material mais leve do que a água que vai se acumulando na superfície dos tanques de tratamento das estações de tratamento de esgotos (ETEs). Atualmente ele é simplesmente separado e despachado para aterros sanitários. Um verdadeiro desperdício, já que uma boa parte dela é composta por gorduras que poderiam ser coletadas e convertidas em biodiesel que, por sua vez, poderia ser consumido na operação da própria ETE melhorando seu balanço energético e barateando a operação como um todo.

Marques conta que os técnicos do Ivig vem aperfeiçoando esse processo há aproximadamente meio ano numa usina piloto que funciona dentro da ETE Alegria. Essa unidade processa cerca de 2 mil litros de esgoto por segundo, o que resulta em algo entre 1.000 a 1.500 quilos de escuma, dos quais aproximadamente metade poderia virar biodiesel. Como a usina tem capacidade de produção para 300 litros por dia, nem todo o material pode ser aproveitado. Por enquanto o combustível fabricado está sendo usado para alimentar um gerador que é ligado nos horários de pico na rede elétrica. A perspectiva é que, assim que o projeto estiver maduro, os caminhões da ETE serão abastecidos com o biodiesel produzido in loco.

Somando a produção de biodiesel ao processo de geração de energia a partir do biogás – tema que o Ivig também vem pesquisado –, Marques garante que seria possível tornar as maiores ETES autossuficientes. “Seria difícil chegar a tanto, mas é possível”, diz. Ele garante que nem seria preciso tudo isso para quepara que o projeto se pagasse. “Se chegássemos a 50% do consumo já seria um grande avanço”, completa.

Segundo o pesquisador, falta bem pouco para que o biodiesel de esgoto atenda todas as especificações da ANP. “Estamos tendo um pouco de dificuldade com o teor de ésteres que ficam um pouco abaixo do exigido. A norma pede 96,5% e a gente tem conseguido ente 93% e 94%”, conta. Ele acrescenta que até meados do ano ele espera já estar com os processos totalmente resolvidos.

Encerrada essa fase piloto, o pesquisador adianta que há seis outras ETEs no Rio de Janeiro em condições de receber um sistema similar. Além disso ele conta que as companhias de saneamento de São Paulo e do Paraná já demonstraram interesse.

Só a Sabesp processa 44,1 mil litros de esgoto a cada segundo no estado de São Paulo. Extrapolando os resultados obtidos na ETE Alegria com alguns cálculos bastante grosseiros, seria possível fabricar cerca de 5.000 toneladas de biodiesel por ano a partir desse material – algo em torno de 6 milhões de litros. Evidentemente o resultado não chegaria nem perto dessa cifra, pois como ressalta Marques o processo não seria viável em muitas ETEs de menor porte da Sabesp. Mas, considerando que hoje todo esse material é jogado no lixo, seria um avanço significativo.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
Tags: Esgoto