Pesquisa

Após superar falta de estrutura e investimento, Embrapa Agroenergia comemora seis anos


BiodieselBR.com - 24 mai 2012 - 11:57
Embrapa-240512Nesta quinta-feira, a Embrapa Agroenergia completa seis anos de vida. Como presente, a entidade inaugurou seus laboratórios e prometeu inovar em pesquisas para tornar o Brasil potência na produção de biocombustíveis. Nessa primeira fase, a entidade sofreu com a falta de estrutura, fazendo com que as pesquisas fossem realizadas em estruturas físicas de parceiros, como a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a Embrapa Cerrados e a Universidade Católica de Brasília.

A partir de agora, o chefe-geral da entidade, Manoel Teixeira Souza Júnior, considera concluída a fase de implementação da unidade. “Esse é um marco, pois implanta em plenitude a Embrapa Agroenergia”, comemora. Para o setor de biodiesel, a promessa é auxiliar na busca de soluções para os obstáculos. “Nosso business é a pesquisa de desenvolvimento e inovação. Podemos auxiliar no fortalecimento da cadeia de biodiesel em diversas fases, desde o marco regulatório até a identificação de gargalos”, afirma.

Ex-ministro da agricultura e atual presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli considera positiva não só a inauguração dos laboratórios, mas o investimento em pessoal. No entanto, afirma que a estruturação poderia ter ocorrido em menor tempo, caso mais recursos fossem disponibilizados. “Por um bom tempo, não houve dinheiro. A evolução do órgão coincidiu com o lançamento do PAC Embrapa”, diz.

O Programa de Aceleração do Crescimento da Embrapa foi criado em 2008, dois anos após o nascimento da Embrapa Agroenergia, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a intenção de fortalecer a instituição. De acordo com informações o governo, foram investidos quase R$ 500 milhões de 2008 a 2010, na soma dos custos de melhorias físicas, custeio e pessoal em toda a entidade.

Para Frederico Durães, pesquisador e ex-chefe geral da Embrapa Agroenergia, o momento é de alegria pela consolidação de uma visão de longo prazo para o setor. “Nós pensávamos em uma nova agricultura, a de energia. E o Brasil definitivamente colocou a agroenergia em sua estratégia”, diz. De acordo com Durães, o foco deve ser no desenvolvimento estratégico e localizado, aproveitando o potencial específico de cada região.

Otimismo
O cenário do biodiesel brasileiro é otimista na visão de Souza Júnior, especialmente por desenvolver a chamada economia verde, baseada em fontes renováveis. “O biodiesel é um dos principais biocombustível nesse cenário, junto com o etanol. Há grandes focos de desenvolvimento nos Estados Unidos, Europa e mesmo na América Latina”, explica.

No caso brasileiro, o atual chefe do órgão afirma que o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel foi um sucesso, mas precisa ser rediscutido. “Agora, é preciso haver diálogo sobre o que deve ser feito nesta segunda fase do programa”, diz. 

Na avaliação Durães, pesquisador e ex-chefe geral da Embrapa Agroenergia, a inauguração do laboratório dá a possibilidade de a entidade se tornar um personagem importante em duas frentes necessárias: o suporte às pesquisas públicas e o desenvolvimento de tecnologias para o mercado. “Para isso, é preciso haver coordenação da pesquisa, com o compartilhamento para terceiros. A área pública precisa auxiliar a definir os rumos para a atuação da iniciativa privada”, afirma.

Raciocínio semelhante ao de Paolinelli, ex-ministro da agricultura e atual presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). “A Europa trabalha com plantas sem a mesma capacidade produtora brasileira. As potencialidades daqui são formidáveis, mas é preciso desenvolver e coordenar um sistema racional de uso”, diz. 

Aproveitando o potencial de cada região, é possível aumentar a oferta de biodiesel de matérias-primas que não sejam a soja. “A territorialidade do país demanda outros tipos de espécies, que ainda precisam de domínio tecnológico e a construção de arranjos produtivos. Essa área pode e deve ser atacada”, afirma Durães.

Vinicius Boreki – BiodieselBR.com