El Niño volta ao Pacífico e ameaça clima, agricultura e energia
O El Niño se formou no Pacífico equatorial, abrindo caminho para meses de secas, enchentes e oscilações de temperatura que devem ameaçar comunidades no mundo todo, além da agricultura e do setor de energia.
O fenômeno climático, identificado pela Agência Meteorológica do Japão, é o primeiro desde 2023 — e pode ser um dos mais intensos já registrados. Segundo a agência, o El Niño deve ganhar força nos próximos meses, ficar muito forte no fim do ano e persistir pelo menos até dezembro. Além do Japão, a Administração de Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos das Filipinas também informou o início do fenômeno.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que altera os padrões climáticos globais e pode prejudicar lavouras e pressionar as redes elétricas. Mesmo antes da declaração oficial, seus efeitos já vinham sendo sentidos em várias regiões, do atraso no início das monções na Índia à interrupção temporária da temporada de pesca no Peru.
Um El Niño intenso, em 1997, matou ao menos 30 mil pessoas e causou cerca de US$ 100 bilhões em prejuízos no mundo. Um estudo de 2023 do Dartmouth College estimou que os efeitos persistentes do El Niño podem custar trilhões de dólares à economia global.
A intensidade do El Niño é determinada pelo quanto a temperatura do Pacífico equatorial fica acima do normal; uma anomalia de 2°C ou mais é considerada um evento muito forte — o que informalmente é chamado de “Super El Niño”. Segundo a Marex, episódios fortes historicamente reduzem a produtividade de óleo de palma, café, cacau, algodão e grãos, incluindo trigo e arroz.
Outros impactos sobre o clima ao redor do mundo devem se espalhar e ganhar força à medida que o El Niño atingir seu pico, em dezembro ou janeiro. Entre eles, podem estar um inverno mais frio e chuvoso no sul dos Estados Unidos, além de secas e incêndios florestais em partes da Austrália.
A temporada de furacões no Atlântico também pode ser afetada. Mudanças atmosféricas associadas ao El Niño costumam aumentar o cisalhamento dos ventos na bacia, dificultando a formação de tempestades tropicais e furacões.
Isso não significa, porém, que furacões e tempestades tropicais não possam atingir os Estados Unidos, o México, a América Central e o Caribe. As previsões iniciais de instituições acadêmicas, consultorias e agências de governo apontavam, em geral, para cerca de 14 tempestades nomeadas neste ano, número mais ou menos em linha com a média histórica.
O que preocupa muitos observadores do setor e do clima é que o El Niño deste ano possa evoluir para um evento “super”. Nos Estados Unidos, o fenômeno é identificado pelo monitoramento da temperatura do Oceano Pacífico, especialmente em uma região conhecida como Niño 3.4.
O critério usado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) para caracterizar o El Niño é quando a temperatura da superfície do mar supera a média de longo prazo em pelo menos 0,5°C por cinco trimestres móveis consecutivos.


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