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Materiais graxos mantém trajetória ascendente no mercado de biodiesel

Embora o vigor do processo de diversificação das matérias-primas da indústria de biodiesel tenha perdido vigor em fevereiro, os materiais graxos mantiveram trajetória ascendente.
BiodieselBR 4 min de leitura
Em fevereiro, os materiais graxos se mantiveram firmes em sua trajetória ascendente e abocanharam impressionantes 11,2% do mix de matérias-primas consumidas pelas indústrias de biodiesel no período. Esse foi o segundo mês seguido em que participação se manteve acima dos dois dígitos. Os dados foram divulgados pela ANP e mostram que, apesar de mais essa alta, o processo de diversificação que vem se desdobrando nesses últimos meses perdeu um pouco de seu vigor.

Em fevereiro, os materiais graxos se mantiveram firmes em sua trajetória ascendente e abocanharam impressionantes 11,2% do mix de matérias-primas consumidas pelas indústrias de biodiesel no período. Esse foi o segundo mês seguido em que participação se manteve acima dos dois dígitos. Os dados foram divulgados pela ANP e mostram que, apesar de mais essa alta, o processo de diversificação que vem se desdobrando nesses últimos meses perdeu um pouco de seu vigor.

Quando olhamos para os óleos e gorduras diferentes da soja e do sebo bovino – as duas principais fontes da indústria – representaram 18,5% da produção. Isso é cerca de um ponto percentual menos do que no mês anterior e encerra uma trajetória de 10 meses de crescimento ininterrupto durante o qual a produção a partir dessas fontes praticamente quintuplicou indo de 4% em abril passado para mais de 19,6% em janeiro.

Considerada a produção de 259,8 milhões em fevereiro que foi reportada de forma preliminar pela agência reguladora, a produção somou 48 milhões de litros. São 2,1 milhões de litros menos que no mês anterior.

Outros

Em grande medida, esse processo tem sido puxado pelos outros materiais graxos que saíram de menos de 1,5% do mercado em abril para os atuais 11,2%. Em volume, a produção saltou de 4,5 para 29 milhões de litros no mesmo período.

Com essa movimentação de mercado, os materiais graxos se consolidaram como a terceira matéria-prima mais importante para a produção de biodiesel roubando uma posição que, durante muito tempo, pertenceu ao óleo de algodão.

As usinas do Centro-Oeste têm sido as líderes nesse crescimento. Em fevereiro, cerca de 18% dos 116,1 milhões de litros de biodiesel fabricados na região foram feitas a partir de materiais-graxos. Ou seja, do total produzido no mês quase 21 milhões de litros tiveram os três estados da região como ponto de origem.

Enquanto os materiais graxos nadam de braçada, as demais matérias-primas alternativas tiveram resultados inconsistentes em fevereiro. Em quatro casos – óleo de algodão, gordura de porco, óleo de palma e canola – tivemos quedas relativamente pronunciadas enquanto o óleo de cozinha usado e a gordura de frango se saíram relativamente menor. No balanço geral tivemos uma queda de 8,9% para 7,3% na participação destas com destaque para o óleo de algodão que quase sumiu do mapa ficando com parcos 0,02% de mercado.

Soja e Sebo

Nesse meio tempo, a soja encerrou uma trajetória de cinco meses de contrações e avançou de 65,8% em janeiro para 66,4% em fevereiro movimentando 172,5 milhões de litros de óleo.

Apenas um ano atrás, a soja representava 75% do biodiesel produzido com um consumo superior a 241,7 milhões de litros.

Essa contração na participação da soja fez com que o volume de grão esmagado para dar conta da demanda da indústria de biodiesel despencasse em praticamente um terço indo de 1,16 milhão de litros em fevereiro do ano passado para cerca de 827,9 milhares de toneladas.

O sebo também vem apresentando contração expressiva ficando com pouco mais de 15,1% em fevereiro representando pouco mais de 39,2 milhões de litros – o menor volume produzido desde junho de 2013.

Em seus melhores tempos, o sebo chegava a ficar com um quarto do mercado. Mas, desde o final de 2015, vem perdendo espaço e passou a gravitar em torno dos 15,5% mensais em média.

Apesar da queda nacional, a gordura bovina mantém relevância no Norte onde chega a ter 100% e no Sudeste onde tem mais de metade do mercado.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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