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Soja

Produção e produtividade na soja ainda estão longe do potencial


Folha de S.Paulo - 28 jun 2022 - 09:35

Se os produtores estivessem utilizando melhor o conhecimento sobre as culturas que semeiam e aderindo a boas práticas e inovação, a produção brasileira de grãos estaria em um patamar bem mais alto.

É o que mostram números de entidades voltadas à busca de maiores produtividades nas lavouras, com base em transferências de tecnologias e sustentabilidade na produção.

Tomando como base o rendimento de produtividade dos maiores produtores de soja das cinco regiões, a produção nacional, na área atual de 41 milhões de hectares, poderia atingir 277 milhões de toneladas.

As previsões iniciais para a safra 2021/22 indicavam 145 milhões, volume não atingido devido à adversidade climática ocorrida no período.

Essa constatação de boa produtividade vem de um desafio do Cesb (Comitê Estratégico Soja Brasil), que incentiva produtores a retirar o máximo possível de suas lavouras.

Neste ano, o campeão nacional, um produtor paulista, obteve 126,85 sacas de soja por hectare no plantio sequeiro.

Na cultura do milho, um outro grupo, o Getap (Grupo Tático para Aumento de Produtividade), também lança anualmente um desafio para que produtores elevem a produtividade do cereal no país.

Na safra de verão 2021/22, na média, os produtores que participaram desse desafio obtiveram 236 sacas por hectare. Esse volume é bem superior às 91 sacas da média do país para esse período, segundo a Conab.

Dentro desse padrão de produtividade, a produção de verão de milho poderia ter atingido 64 milhões de toneladas. Prejudicada pelo clima, ficou em apenas 24,8 milhões.

Essas altas produtividades de soja e de milho são conseguidas em condições bastante especiais. Os produtores escolhem áreas pequenas e se dedicam ao máximo para a obtenção de bons volumes.

Projetar o resultado dessa produção feita em condições bastante especiais para o país como um todo é um mero jogo de números.

O resultado desses desafios mostra, porém, que os produtores que participam desses programas aumentam a produtividade média de suas propriedades ano a ano.

Na safra 2008/09, ano em que o Cesb iniciou esse desafio, as áreas auditadas obtiveram uma média de 65,2 sacas, enquanto a produtividade nacional foi de 48,8 sacas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Na safra deste ano, as áreas auditadas pelo Cesb apresentaram uma média de 82 sacas por hectare, 26% a mais do que em 2008/09. A média nacional subiu apenas 2,5%, para 50 sacas no período.

A experiência obtida com as pequenas áreas é transferida para a área comercial. Neste ano, a produtividade ponderada dos produtores líderes no plantio de soja sequeiro (sem irrigação) atingiu 112,56 sacas nas pequenas áreas do desafio.

Esses mesmos produtores já conseguem uma produção média ponderada de 78,93 sacas por hectare nas áreas comerciais de suas propriedades, diz Veranice Borges, coordenadora técnica do Cesb. Essa produtividade ocorre tanto em pequenas quanto em grandes propriedades, afirma ela.

Aplicada essa média para a área total semeada no país, a produção de soja já estaria em 194 milhões de toneladas.

Leonardo Sologuren, presidente do Cesb, diz que esse desafio foi lançado porque o setor queria entender o porquê de a produtividade de soja estar estagnada. "Era um desafio para os próprios produtores desafiar a eles mesmos."

Para Nilson Caldas, diretor de marketing, a obtenção de uma alta produtividade é uma estratégia de longo prazo. Esse desafio é importante porque ajuda os produtores a repassar essas técnicas entre eles.

Esse trabalho de longo prazo é uma construção, que inclui descompactação do solo, melhoria biológica, velocidade no plantio, além de manejo. "É uma série de fatores que levam a essa alta produtividade."

Para o agricultor paulista Matheus Leonel Nunes, o campeão nacional de produtividade, a agricultura é um processo, no qual sempre devem ser usados bons produtos.

Em um período em que o clima afeta cada vez mais as lavouras e os custos sobem acentuadamente, a eficiência na produção é fundamental. O líder em produtividade no Centro-Oeste teve uma eficiência climática de 68%, mas conseguiu uma eficiência agrícola de 92% no período. Com isso, para cada R$ 1 investido, obteve R$ 3,9 de retorno.

Mauro Zafalon - Folha de S.Paulo

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