Soja

Preços da soja do Brasil sobem com guerra comercial entre China e EUA


Reuters - 28 mar 2018 - 13:57

Importadores chineses estão pagando pela soja brasileira prêmios recordes para uma época de colheita, conforme procuram garantir o fornecimento em meio a preocupações de que as remessas dos Estados Unidos possam ser afetadas pela guerra comercial entre Washington e Pequim.

A China compra aproximadamente 60% da soja comercializada globalmente para alimentar a maior indústria pecuária do mundo. O Brasil forneceu metade das importações chinesas no ano passado, enquanto os EUA responderam por volta de um terço.

Mas Pequim tem ameaçado mirar a soja, principal item da exportação agrícola dos EUA, em retaliação a medidas tomadas pela administração do presidente Donald Trump em busca de melhores termos de comércio para os EUA.

A demanda por soja em grão do Brasil, maior exportador do mundo, elevou os prêmios, por preocupações de que a China possa eventualmente cortar as compras dos EUA.

Prêmios pagos pela soja enviada do porto brasileiro de Paranaguá (PR) ficaram mais de US$ 1 por bushel (cerca de 27,2 kg) acima dos preços internacionais de referência, de acordo com a Esalq, órgão de pesquisa de mercado agrícola da Universidade de São Paulo (USP).

Foi o mais alto prêmio spot já registrado para março, época em que o fluxo de soja recém-colhida do Brasil normalmente reduz os prêmios.

O prêmio era mais de um terço superior aos US$ 0,65 por bushel que os compradores estavam pagando em 01 de março para embarques em abril via Paranaguá.

Um ano atrás, os prêmios de Paranaguá para embarques spot estavam apenas US$ 0,36 acima dos futuros, de acordo com dados do Thomson Reuters Eikon.

“O mercado está enlouquecendo”, disse um operador de Pequim, que recusou ser identificado por não ser autorizado a falar com a mídia.

“Alguns compradores ainda estão comprando devido a boas margens de moagem aqui, mas eles estão muito desconfortáveis com os preços altos”, ele acrescentou.

A compra de mais soja brasileira é um dos vários planos que os compradores chineses estão executando para garantir a ração animal de que precisam.

Os esmagadores da China têm favorecido cada vez mais a soja brasileira em relação à norte-americana devido a seus altos níveis de proteína e óleo.