Custo do diesel na produção de soja dobra em oito anos
O custo do diesel na produção de soja mais que dobrou nos últimos oito anos em todo o Brasil. Levantamento realizado pela Aegro Insights mostra que a cotação do grão não acompanhou o encarecimento do combustível, que acumula valorização de 87,5% na série histórica iniciada em 2018. O resultado pressiona diretamente as margens financeiras do produtor rural às vésperas da semeadura.
O custo do diesel na produção de soja mais que dobrou nos últimos oito anos em todo o Brasil. Levantamento realizado pela Aegro Insights mostra que a cotação do grão não acompanhou o encarecimento do combustível, que acumula valorização de 87,5% na série histórica iniciada em 2018. O resultado pressiona diretamente as margens financeiras do produtor rural às vésperas da semeadura.
Em 2018, o óleo diesel representava 3,90% do custo de produção por hectare de soja. O insumo atingiu o patamar de 5,54% em 2024 e fechou 2025 em 5,25%. Já na parcial até agosto de 2026, o preço médio pago nas fazendas chegou a R$ 6,56 por litro — ultrapassando a marca de R$ 6,54 verificada durante a crise energética de 2022. A pesquisa baseou-se na análise de 507 mil notas fiscais de propriedades agrícolas nacionais.
Segundo o coordenador de inteligência de mercado da Aegro, o engenheiro agrônomo Mathias Bergamin, o gasto por hectare cultivado avançou 180,4% entre 2018 e 2025, diante de uma alta de 108% no custo operacional total da lavoura. Conflitos internacionais, problemas na oferta global do produto e oscilações do câmbio explicam o descompasso frente às cotações da oleaginosa.
Piora na relação de troca
A pesquisa constata a pior relação de troca da série histórica. Em 2018, uma saca de soja de 60 quilos comprava 20,74 litros de diesel. Em 2026, o mesmo volume adquire apenas 17,46 litros. No campo, o consumo subiu de 1,43 saca por hectare em 2018 (R$ 103,95) para 2,44 sacas por hectare em 2025 (R$ 291,45).
Para estruturar o plantio da safra 2026/27, o produtor precisa programar as compras antecipadamente junto às distribuidoras. O objetivo é assegurar o abastecimento no início de setembro e mitigar o impacto de picos repentinos de preços durante os trabalhos de campo.
Entre as medidas de gestão recomendadas pelo especialista estão o aumento da eficiência das máquinas, manutenção preventiva de motores, regulagem e limpeza de bicos de pulverização e o controle rigoroso da telemetria das frotas.
Diferenças no custo por região
O impacto financeiro do combustível varia de forma expressiva conforme a infraestrutura logística de cada unidade da Federação. Em estados de fronteira agrícola, onde o transporte ainda depende de rotas em formação, a participação do combustível na planilha permanece acima de 5,1%.
No topo dos gastos proporcionais, o Maranhão registra peso de 6,28% (R$ 378,70 por hectare ou 2,97 sacas). Em seguida aparecem o Rio Grande do Sul, com 5,99% (R$ 273,38 por hectare ou 2,14 sacas), a Bahia, com 5,86% (R$ 360,24 por hectare ou 2,82 sacas), e Goiás, com 5,55% (R$ 291,90 por hectare ou 2,29 sacas).
Mato Grosso apresenta a menor taxa relativa entre os 12 estados avaliados, com 4,71% (R$ 250,00 por hectare ou 1,96 saca). Apesar de o custo total por hectare no estado mato-grossense (R$ 5.307,12) superar o gaúcho (R$ 4.567,70), a malha consolidada e a escala da frota diluem o peso do combustível.


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