


Pesquisadores norte-americanos da Universidade de Cincinnati estão trabalhando para aperfeiçoar uma tecnologia que, no futuro, poderá transformar a borra de café numa nova fonte de óleos vegetais. A ideia é que o produto sirva como uma matéria-prima relativamente barata para a fabricação de biodiesel.
O responsável pelo trabalho é o engenheiro ambiental Yang Liu do Departamento de Engenharia e Ciências Aplicadas da UC que apresentou seus resultados no 246º Encontro Nacional da Sociedade Química Americana que aconteceu esta semana na cidade de Indianápolis, nos Estados Unidos.
A equipe liderada por Liu começou a trabalhar com a borra de café em 2010. Usando material coletado na loja da rede de cafeterias Starbucks localizada no campus da UC, os pesquisadores desenvolveram soluções para: extrair o óleo contido na borra e convertê-lo em biodiesel capaz de atender as exigências da especificação da ASTM.
Não parou por aí. Eles descobriram que, depois de processada, a borra pode ser transformada em carvão ativado – usado para filtrar o próprio biodiesel que estavam fabricando. E, no final, o material ainda é queimado em fornalhas para a produção de calor e eletricidade.
A pesquisa mostrou que o pó de café usado contém teor de óleo de até 19,5% – para comparação o grão de soja têm cerca de 18% de óleo.
A estimativa dos pesquisadores é que os norte-americanos produzam mais de um milhão de toneladas de borra de café todos os anos – sendo que uma pesquisa publicada em março pela Associação Nacional do Café dos EUA apontou para um aumento contínuo do consumo da bebida. Considerando o teor de óleo verificado, estamos falando de 195 milhões de toneladas de óleo vegetal que acaba indo parar em lixões sem receber um destino adequado.
Logística reversa
A possibilidade de aproveitar da borra de café na produção de biodiesel não é bem uma ideia inédita. A novidade no sistema proposto pelos pesquisadores dos EUA está no aproveitamento integral da biomassa da borra de café e no somente no óleo.
Como outras iniciativas desse gênero a maior dificuldade está em viabilizar sistemas logísticos para fazer a coleta do material – que está distribuído em quantidades relativamente pequenas por milhares de locais – de forma viável tanto do ponto de vista financeiro quanto ambiental.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com