Óleo de cozinha

[Vídeo] Guarulhos terá nova usina para reciclar óleo de cozinha e produzir biodiesel


G1 - 20 ago 2018 - 15:52 - Última atualização em: 21 ago 2018 - 16:03

Uma das cidades mais poluídas da região metropolitana de São Paulo deu um passo importante para ajudar a melhorar a qualidade do ar. Guarulhos terá uma nova usina de biodiesel que produz mais de 20 mil litros do combustível por mês – que é menos poluente.

Tudo é feito a partir da reciclagem do óleo de cozinha, esse usado em casa para preparar alimentos. Uma cooperativa é a primeira na linha de produção. Além do material reciclável, ela recolhe o óleo de cozinha.

“Nós já fazíamos isso antes, e agora nós estamos reforçando mais ainda, porque agora nós temos o óleo diesel para levar para lá, para nós vendermos tudo”, disse a catadora Cícera Moreira.

Na verdade, o que ela utiliza é biodiesel, combustível verde, bom para o meio ambiente, e que é produzido a partir do óleo usado para fazer frituras.

Garrafas cheias dele passaram a ser recolhidas pela cooperativa nos 17 pontos de entrega voluntária de Guarulhos. Os catadores também fecharam parceria com famílias e restaurantes.

“A gente já faz coleta de porta em porta. A gente fala com as donas de casa, conversa com elas: ‘gente não joga no ralo do esgoto’”, falou a catadora Maria José Cristóvão.

Um litro de óleo que vai pelo ralo contamina 20 mil litros de água. Antes a cooperativa vendia essas garrafas para as indústrias. A partir de agora o destino delas será uma usina que irá funcionar no bairro Água Chata. Primeiro, o óleo é colocado num tanque e dá início ao processo.

A usina

A usina ainda não está funcionando porque falta colocar a tubulação e a fiação. Todo maquinário custou R$ 300 mil.

Ele não usa uma gota de água e tem 100% de aproveitamento dos materiais, o que significa que 1 litro de óleo, por exemplo, vira no final um litro e biodiesel bombeado para um tanque.

“Então em todo o processo, desde a destinação, não se perde nenhum produto, o material orgânico que vem junto com o óleo vai para compostagem, o biodiesel é usado como biocombustível e a glicerina é utilizada para a fabricação do sabão ecológico”, disse a diretora Márcia Werle. “Então fecha toda a cadeia da reciclagem.”

22 mil litros

A princípio, a usina pretende produzir por mês 22 mil litros de biodiesel, que a cooperativa quer usar primeiro nos próprios caminhões.

Até o fim do ano, a ideia é que o biocombustível possa ser usado em outras frotas como a de ônibus do município e do aeroporto de Guarulhos. O projeto venceu um edital feito pela concessionária do Aeroporto Internacional. Custou R$ 1,3 milhão. Dinheiro que veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Nós entendemos que ele é um projeto muito completo, primeiro porque ele oferece uma contribuição social muito relevante (que é a inclusão produtiva dos catadores), ambiental (com o impacto na retirada desses produtos nocivos ao ambiente) e econômico (que também economia), então ele foi muito bem avaliado porque ele abrange os três pilares de sustentabilidade de maneira muito eficaz”, falou o coordenador de sustentabilidade do aeroporto de Guarulhos, Carlos Melo.