Óleo de cozinha

Conheça o projeto que recicla óleo de cozinha usado em Caxias do Sul


GZH - 06 ago 2021 - 09:21

Atualmente, é comum ver pessoas preocupadas com a seleção correta do lixo, com o descarte do plástico, mas você já parou para pensar para onde vai o óleo utilizado na cozinha? Esse produto essencial na culinária, quando descartado de forma incorreta, pode prejudicar o solo, a água, nossa saúde e a dos animais.

Para diminuir os estragos causados na natureza, iniciativas de reaproveitamento ensinam a reciclar o líquido. Esse é o objetivo da iniciativa “Óleo parceiro Bio-Rentável”, criada pelo caxiense Rafael Gomez Bado, em 2020. O projeto tem o propósito de recolher corretamente o óleo de cozinha utilizado em condomínios de Caxias do Sul e reciclar de forma correta.

Atualmente, existem 12 ecopontos instalados no município, nove estão em condomínios e os outros três na Associação de Funcionários da Codeca, na Casa de Redenção Centro Espírita Francisco Xavier e no restaurante Frango no Potche.

Bado atua em parceria com a empresa Ecológica, de Guaíba. Ele apresenta o projeto aos condomínios e a empresa firma o contrato e fica responsável por instalar o ecoponto e recolher o galão. Quando o galão está cheio, a Ecológica paga ao condomínio por cada litro a ser reciclado.

A iniciativa beneficia tanto o condomínio, quanto a empresa coletora, pois reduz gastos com a manutenção dos canos entupidos e a empresa coletora revende o material para empresas que transformam o líquido em subprodutos, como biodiesel, ração animal, massa de vidro, sabão e tintas.

“O óleo de cozinha está aí para ficar, porque todo mundo usa. Então nosso trabalho é minimizar o máximo possível esse produto que é tão agressivo para o meio ambiente. Pensei em criar um projeto que aliasse a parte financeira e ajudasse ao meio ambiente”, explica Bado.

Para se ter uma ideia, dados da ONG Ecóleo indicam que cada brasileiro consome em média 15 litros de óleo de cozinha por ano. Contudo, apenas 10% são reciclados. Enquanto isso, cada litro de óleo descartado pela tubulação de esgoto pode poluir até 25 mil litros de água. Além do mais, quando descartado diretamente no solo, acaba formando uma camada impermeável que impede o solo de receber nutrientes e impede a plantação de sobreviver.

Redução de 80%

De acordo com Sandro Ribas, administrador do Condomínio Moratta Vista Bella Sul, no bairro Nossa Senhora das Graças, a partir da instalação do galão, foi possível reduzir em 80% os gastos do condomínio com o desentupimento de canos.

“Escolhemos participar por dois motivos. Primeiro porque ajuda a natureza ao não descartar em qualquer lugar e, segundo, ajuda o condomínio a evitar canos entupidos e gastos com a empresa desentupidora”, destaca Ribas.

Outro local que instalou o ecoponto e percebeu a mudança foi no Residencial Spazio Tangarás. O dinheiro evitado nas manutenções e recebido pela coleta, é aplicado em melhorias para os moradores, conforme explica o professor e síndico, Jakson Rodrigo Albino da Rosa.

“É muito importante porque acrescenta uma renda extra para o condomínio em algo que seria simplesmente descartado, iria para o lixo. Além de colaborar com a natureza, esse valor se transforma em benefícios, sem precisar aumentar o valor do condomínio”, revela.

Bado, que trabalha como secretário escolar, tem planos de estender o projeto e implantar nas escolas de Caxias do Sul. Em março de 2020, ele chegou a se reunir com a Secretaria da Educação, mas a pandemia e o fechamento das escolas interromperam os planos.

“Muitos pais estão mal-educados na parte ambiental, por isso, quando a criança leva para dentro de casa eles acabam tendo interesse também. Já é um começo, uma partezinha que estamos tentando fazer para ajudar o todo”, projeta Bado.

Para descartar o óleo corretamente, é preciso esperar o produto esfriar, filtrar (pois ele não pode conter restos de comida ou qualquer resíduo) e armazenar em um recipiente adequado como uma garrafa pet.

“A gente mora na mesma casa, no planeta Terra, então tudo que acontece de dano ambiental vai nos prejudicar. Eu quero que no futuro meus filhos tenham um planeta preservado para morar. As pessoas só precisam fazer a sua parte e descartar corretamente”, reforça Bado.

Raquel Carvalho – GZH