Mamona

Garantia de preço oferecida por estatal favorece a mamona


Jornal A Tarde - 20 dez 2011 - 07:00 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 12:26

Apesar do cenário internacional indicar alta no preço da mamona para a indústria da ricinoquímica, é no programa nacional de biocombustíveis que os produtores baianos têm encontrado segurança. Por meio de uma parceria que envolve a Petrobras Biocombustível, 44 mil toneladas da mamona que seriam repassadas a atravessadores, foram adquiridas pela estatal, que oferece garantia de preço ao produtor.

Segundo o produtor Luciano Nazaré, que cultiva mamona em Irecê, a garantia de compra e preço incentivou os agricultores no melhoramento de técnicas para o aumento da produção. "Com o biodiesel, o preço da mamona valorizou-se. Antes, o produtor só tinha o atravessador, e ainda tinha que esperar ele passar. Estamos mais determinados a plantar por que sabemos que temos a certeza da compra. Hoje, com o conhecimento técnico que a cooperativa está dando e as sementes de boa qualidade que recebemos, o negócio melhorou bastante", afirma.

Apesar da garantia de preços mínimos que beneficia os produtores por meio do programa, o pesquisador e engenheiro agrônomo para a cultura de biodiesel da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Valfredo Vilela, explica que os atuais preços da mamona praticados no mercado não viabilizam para a produção do biocombustível. "O preço (da saca damamona) que está em torno de R$ 80, não se viabiliza para o biodiesel, porque uma saca, com 60 kg, produz 24 kg de óleo da mamona, que custa cerca de R$ 4 por kg. Mas quando o governo fez o programa, que confere aos produtores o selo social, ele estimula a compra da mamona e garante a compra do produto pelo preço mínimo de mercado, o que garante a renda dos produtores", destaca.

Para Vilela, o programa ainda carece de investimentos em outros aspectos, como no custeio agrícola para o financiamento do produto. "O que precisava melhorar neste mercado é ter maior oferta e condição de acesso do pequeno produtor para custeio agrícola, que isso está emperrando. A Petrobras não financia o produto, apenas assegura o preço mínimo de mercado, a assistência técnica, logística da semente e também algum outro material de insumo, coma sacaria. Mas a mamona está totalmente voltada para a agricultura familiar, e essa dificuldade limita muito o poder aquisitivo dos produtores", ressalta.

O secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, é otimista em relação à vocação do programa para aumentar a produtividade da mamona no Estado. "A Bahia é o maior produtor da mamona do Brasil, mas ainda temos muito o que avançar, com a questão da produtividade, que hoje ainda acho que não expressa o que a gente precisa chegar, além da questão da tecnologia, que também tem muito a avançar. Mas isso aconteceu com a cana há algum tempo. A Petrobras deu este incentivo e ela aconteceu. Não tenho dúvidas que com este incentivo, em breve, estaremos fazendo muito biodiesel com a mamona porque o mercado vai se equilibrar", avalia.

Nova semente garante maior produtividade ao agricultor
Um novo tipo de semente de mamona já está disponível para os produtores baianos. A MPA 34, produzida pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), é voltada para a agricultura familiar. A variedade é uma das seis recomendadas para cultivo na Bahia.

Segundo Valfredo Vilela, um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da semente, a EBDA MPA 34 alcança produtividade superior quando comparada com outras opções disponíveis nomercado. "Ela supera as variedades Nordestina, Paraguaçu e a EBDA MPA 11 em 10 a 20% da produtividade, em condições semelhantes. Em condições irrigadas, ela pode alcançar uma produtividade superior a 5 mil kg por hectare, uma resposta superior às demais", compara.

Além disso, segundo o pesquisador, a nova semente gasta menos tempo para começar a dar galhos laterais. "Ela faz isso antes mesmo de emitir a florescência primária, o que favorece uma emissão maior de cachos por planta", destaca.

Vilela explica que, em termos de adaptação, MPA 34 é semelhante às demais variedades. A nova semente foi desenvolvida no semiárido baiano, onde amamona é cultivada por agricultores familiares. "A pesquisa foi focada na Bahia, mas isso não quer dizer que a MPA 34 não possa ser recomendada para outros estados. Espera-se também que esse material apresente boas respostas em Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte", diz.

A EBDA está colhendo cerca de 15 toneladas da MPA 34 neste primeiro ano para disponibilizar aos produtores. "Esperamos disponibilizar, no próximo ano,uma quantidade ainda maior", afirma Vilela.

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