Pinhão-manso

US$ 17 mi para o pinhão-manso


BiodieselBR.com - 17 jan 2012 - 12:00 - Última atualização em: 27 fev 2012 - 00:40

Passada a euforia – e a ressaca – inicial em torno do pinhão-manso, o mercado começa a dar sinais de que está pronto para voltar a investir em projetos relacionados à oleaginosa. Uma das líderes mundiais em pesquisa e produção de variedades híbridas de pinhão-manso, a norte-americana SG Biofuels (SGB), está anunciando hoje (dia 17) que levantou US$ 17 milhões junto a investidores de risco especializados em financiar startups nos ramos de biotecnologia e agrícola. Não é nada mal para uma empresa cujo principal produto tem andado sob fogo cerrado nos últimos tempos.


A BiodieselBR conversou ontem com vice-presidente de Marketing e Estratégia da companhia, Miguel Motta, que reconheceu que a maioria dos esforços feitos até agora para a consolidação da jatropha falharam. Mas ressalta que tais falhas foram provocadas por gente que esperava obter altos rendimentos de uma planta que ainda está em processo de domesticação. “Nós acreditamos que essa é a abordagem errada e estamos fazendo o oposto. Nosso trabalho não está começando pela plantação em larga escala, mas por um programa profissional de melhoramento genético”, explica acrescentando que as pesquisas da empresa começaram há cerca de quatro anos.

Segundo o executivo, é perfeitamente natural que o esforço para domesticar uma nova variedade leve vários anos. Por isso a SGB tem se mantido firme e focada. “Temos conseguido obter aumentos significativos de produtividade a partir de variedades comerciais”, garante. Esse é um trabalho que não tem fim. “Não é que nossa cultivar não esteja pronta, mas continuamos desenvolvendo novos materiais, coisa que acontece com todas as culturas comerciais”, completa.

Motta adianta que o dinheiro terá três destinos principais: acelerar as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de variedades híbridas do pinhão-manso; aumentar a capacidade produtiva da companhia para que ela esteja pronta a atender a demanda do mercado; e ações comerciais com o objetivos de ampliar o mercado para a cultivar. “Estamos muito animados com esse investimento porque ele significa mais do que mais dinheiro para nossa companhia, mas um investimento na jatropha. Esse dinheiro traz o endosso de um grupo de investidores bastante sofisticados que estão dizendo ao mercado que entendem que o que estamos fazendo está dando certo”, comemora.

SGB no Brasil 
O Brasil está na alça de mira da SGB. Em setembro passado a empresa firmou uma parceria com a Jetbio que tem como meta o estabelecimento de plantios comerciais de pinhão-manso que poderão chegar até a 30 mil hectares. O projeto conta com apoios de peso – como a Tam e a BP – que estão interessadas no potencial do pinhão como matéria-prima para a fabricação de biocombustíveis para a indústria e aviação.

“O Brasil é muito importante para a gente. Se pensarmos nos mercados-chave do mundo para biocombustíveis, seguramente o Brasil vai ocupar a primeira ou segunda posição”, diz o entrevistado elencando a disponibilidade de terras e o clima favorável ao cultivo da jatropha como os principais atrativos do país.

Embora recentemente a jatropha tenha começado a chamar a atenção de quem está pesquisando alternativas renováveis ao querosene de aviação feito de petróleo. A SGB também está de olho no potencial do óleo de pinhão-manso como matéria-prima para a indústria de biodiesel e na oleoquímica. 

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com