
Ao longo dos últimos quatro anos, pesquisadores de 22 instituições brasileiras – entre elas, diversas divisões da Embrapa – se dedicaram a tentar algo inédito no mundo: viabilizar o cultivo comercial do pinhão-manso. Há alguns anos a planta se tornou uma das estrelas em ascensão do setor de biocombustíveis por seu elevado potencial de produção de óleo vegetal por hectare. O projeto foi liderado pela Embrapa Agroenergia e era intitulado Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Pinhão-Manso para a Produção de Biodiesel (BRJatropha).

Ao longo dos últimos quatro anos, pesquisadores de 22 instituições brasileiras – entre elas, diversas divisões da Embrapa – se dedicaram a tentar algo inédito no mundo: viabilizar o cultivo comercial do pinhão-manso. Há alguns anos a planta se tornou uma das estrelas em ascensão do setor de biocombustíveis por seu elevado potencial de produção de óleo vegetal por hectare. O projeto foi liderado pela Embrapa Agroenergia e era intitulado Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Pinhão-Manso para a Produção de Biodiesel (BRJatropha).
“Há sete anos, não sabíamos praticamente nada sobre o pinhão-manso. Hoje, graças ao trabalho da rede de pesquisa do projeto BRJatropha, temos toda uma base de conhecimento desenvolvida”, resume Bruno Laviola, pesquisador da Embrapa Agroenergia que liderou o projeto.
Para Laviola, o estudo, que se encerra neste mês, teve como grande façanha a seleção de genótipos promissores num banco de germoplasma. Segundo o pesquisador, a média de produção registrada no quinto ano de avaliação de todas as plantas foi de 1.700 kg/ha de grãos. Entretanto, quando selecionados os melhores materiais genéticos, pode-se produzir entre 3.500 e 4.200 kg/ha de grãos. “A expectativa é que, em uma próxima fase, produtividades acima das verificadas poderão ser obtidas com o cruzamento dos melhores genótipos”, expõe.
A pesquisa também contribuiu para a identificação das principais pragas que atacam a espécie, bem como os respectivos métodos de controle. Foram registrados ainda avanços na destoxicação da torta de pinhão-manso, por processos físico-químicos e biológicos e por meio da exploração da variabilidade genética atóxica (genótipos de origem mexicana que indígenas usam na alimentação).
De acordo com o líder do projeto, a torta do genótipo atóxico foi testada em substituição ao farelo de soja para carneiros, com resultados bastante positivos no que se refere à saúde e ganho de peso dos animais.
Desafios
Embora os pesquisadores tenham conseguido avançar bastante nessa primeira fase da pesquisa, ainda precisam ser superados desafios consideráveis para a viabilização a cultura.
Apesar de terem sido encontrados genótipos com produção superior a 4.000 kg/ha de grãos – o equivalente a 1500 kg/ha de óleo –, Laviola diz que, para garantir a remuneração aos produtores, o ideal seria variedades que possam produzir entre 5.000 a 7.000 kg/ha de grãos – espécies estas que podem ser obtidas via melhoramento genético.
O pesquisador menciona ainda a necessidade de se reduzir o custo de produção – ainda elevado –, com mecanização parcial ou plena da maior parte dos tratos culturais do pinhão-manso. “A pesquisa mostrou que, utilizando um sistema semimecanizado, os custos podem ser reduzidos em até 30%, o que contribui de forma importante para equalizar os custos de produção”, observa Laviola.
Intercalar outras culturas no primeiro ano de cultivo também pode ajudar a diminuir o custo de implantação da cultura e a valorizar a rentabilidade da produção na fase jovem das plantas, segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia. “A busca por estratégias de maior valorização dos produtos e coprodutos da cadeia torna-se importante para garantir um maior preço pago ao produtor”, salienta.
Perspectiva
O pesquisador da Embrapa diz que é difícil precisar quanto tempo ainda será necessário para disponibilizar o pinhão-manso para o cultivo. Como se trata de uma planta perene, ele estima que, pelo menos, mais um ciclo de pesquisa (de 5 a 7 anos) será necessário.
Paralelamente ao Projeto BRJatropha, a Embrapa Agroenergia iniciou, em janeiro de 2014, a segunda etapa do estudo, que tem como foco o melhoramento genético do pinhão-manso. “No primeiro ciclo, abrimos as ações de pesquisa para obter o máximo de informações possível. Agora, precisamos focar em pontos chaves para resolver os problemas que restam para viabilizar o pinhão-manso”, explica Laviola.
Cátia Franco – BiodieselBR.com