Dendê / Palma

Pesquisadores dos EUA sequenciam genoma da palma


Correio Braziliense - 25 jul 2013 - 13:30

Além de alimento, o óleo de palma, também conhecido como azeite de dendê, é utilizado como uma das matérias-primas do biodiesel. Em busca de formas de aperfeiçoamento da produção, pesquisadores americanos decifraram o genoma da palma e encontraram mutações que poderão auxiliar na manipulação genética da planta. As descobertas foram divulgadas em dois estudos publicados hoje na revista Nature. Segundo os cientistas, os resultados podem acentuar qualidades específicas das sementes, melhorar a qualidade da colheita e reduzir o tamanho das plantações.

Um dos autores dos artigos, Robert Martienssen, geneticista do Laboratório Cold Spring Harbor, em Nova York, detalha que o sequenciamento foi extenso, revelando mais de 34 mil genes. Isso vai possibilitar que criadores identifiquem os genes subjacentes da qualidade do óleo de palma recolhidos da África e da América do Sul, permitindo o melhoramento molecular, detalha o pesquisador.

Os ajustes moleculares seriam realizados por meio de manipulações de mutações identificadas pelos pesquisadores. As alterações são responsáveis pela qualidade da palma, como o tamanho e espessura da planta. A mais importante delas acontece na casca. Quanto mais grossa, melhor para a produção do óleo. Nomeado de shell, o gene descoberto determina a natureza da casca do fruto. Palmas de variedade híbrida, que têm a casca fina são uma mistura das plantas com casca grossa e as sem casca, têm um rendimento de óleo por fruto 30% maior que o tipo duro. As palmas sem casca não produzem o fruto usado na fabricação do dendê.

A identificação desse gene permitirá que criadores e produtores tenham 100% de certeza de que suas sementes são híbridas no momento do plantio, levando à redução do uso da terra e à maior produtividade, explica Martienssen. Esse mapeamento também vai ajudar na identificação de outras características, como a resistência a doenças.”

Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Indústria Agropecuária (Embrapa) Alexandre Alonso, o mapeamento genético feito pelos pesquisadores americanos trará benefícios não só para a economia e os produtores do biodiesel, mas também para a preservação do meio ambiente. Os benefícios que trarão a produção mais elaborada da palma vão otimizar suas características mais positivas por meio dos marcadores genéticos. Uma das críticas feitas a quem produz essa planta é o espaço das plantações, que são muito grandes. Com essa adaptação, esse território explorado diminuiria, já que a planta seria reduzida em tamanho também, declara.

Análise brasileira
Para Eduardo Fernandes, também pesquisador da Embrapa, a análise feita pelos pesquisadores americanos pode ajudar os brasileiros. Estamos avaliando o fruto para as condições brasileiras, e a obtenção do genoma nacional está em fase adiantada. Essas informações vão ampliar o alcance dos nossos projetos por adiantarem informações que podem ser aproveitadas e permitirem uma referência da mesma espécie, destaca.

Professor de química da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Suarez acredita que a busca por melhorias no cultivo de alimentos sempre é benéfica, principalmente quando eles são utilizados em outras áreas da economia. Existe o dilema de direcionar um alimento como commodity de combustíveis como o etanol e o biodiesel, pois eles podem fazer falta no mercado alimentício. Para acabar com essa preocupação de atender duas demandas, o ideal é aumentar a produtividade.”

Destaque mundial
A plantação de palma representa hoje 33% da produção mundial de óleo vegetal e 45% da produção de óleo comestível do mundo. Também é a mais produtiva, chegando a produzir 5 a 7 vezes mais óleo por hectare do que o amendoim e 10 vezes mais do que a soja.